Saúde

Acromegalia Canina: Excesso de GH por Progesterona e Diabetes Resistente à Insulina

A Acromegalia Canina é causada por excesso de GH produzido pela glândula mamária sob estimulação de progesterona (endógena no diestro ou exógena via progestinas) — diferente da acromegalia felina que é hipofisária. SINAIS: engrossamento de tecidos moles (face, pele, patas), estridor inspiratório por hipertrofia faríngea, diabetes mellitus resistente à insulina. DIAGNÓSTICO: IGF-1 elevado + glucemia elevada. TRATAMENTO: ovariectomia → resolução espontânea na maioria dos casos se realizada antes da fibrose insular.

01 de junho de 2026·3 min de leitura

O endocrinologista veterinário havia descoberto a acromegalia ao investigar o diabetes que havia resistido a quatro unidades por quilo de insulina NPH sem controle glicêmico — a cadela Labrador de sete anos intacta que havia recebido três aplicações de acetato de medroxiprogesterona nos últimos dois anos para evitar o cio enquanto havia desenvolvido o espessamento da pele facial e o estridor inspiratório que haviam parecido mudanças do envelhecimento, e que o IGF-1 de 2.340 ng/mL havia excedido em mais de duas vezes o valor de referência máximo que havia confirmado o excesso de GH que a glândula mamária havia produzido sob a estimulação progesteroníca que havia criado o diabetes resistente à insulina que havia sido o sinal que havia levado ao diagnóstico.

Acromegalia. O excesso de somatotropina que havia crescido silenciosamente enquanto a progesterona havia estimulado o epitélio mamário a produzir o hormônio do crescimento que havia chegado à circulação sistêmica e havia elevado o IGF-1 que havia inibido a insulina enquanto havia engrossado os tecidos que haviam acumulado o edema submucoso que havia estreitado a faringe enquanto havia aumentado a resistência dos receptores insulínicos que havia forçado a dose crescente de insulina que havia sido o sinal que o clínico havia reconhecido como incompatível com o diabetes mellitus não complicado que havia esperado.

A ovariectomia que havia sido o tratamento definitivo — a cirurgia que havia removido os ovários e havia cessado a produção endógena de progesterona que havia alimentado a glândula mamária que havia produzido o excesso de GH, e que o IGF-1 havia normalizado para 420 ng/mL em seis semanas após a ovariectomia enquanto a glicemia havia caído gradualmente de 380 mg/dL para 180 mg/dL em oito semanas com a redução paralela da dose de insulina de quatro para um virgula dois unidades por quilo que havia indicado a recuperação parcial da sensibilidade insulínica que havia confirmado que a fibrose insular havia sido incompleta e havia permitido a recuperação funcional das células beta.

O diagnóstico diferencial com o hiperadrenocorticismo que havia complicado a investigação — o Cushing que havia partilhado a poliúria, a polidipsia e o abdômen pendular com a acromegalia enquanto havia diferido no cortisol que havia sido normal nos testes de supressão com dexametasona e havia afastado o diagnóstico de Cushing enquanto o IGF-1 havia sido o elemento que havia direcionado para a acromegalia progesteroníca que havia permanecido invisível até a investigação hormonal que havia completado o quadro diagnóstico.

Acromegalia Canina — Comparação com Acromegalia Felina e Cushing

| Parâmetro | Acromegalia Canina | Acromegalia Felina | Hiperadrenocorticismo | |---|---|---|---| | Origem do GH | Glândula mamária (progesterona) | Adenoma hipofisário | Cortisol elevado (não GH) | | IGF-1 | > 1.000 ng/mL | > 1.000 ng/mL | Normal ou levemente elevado | | Tratamento | Ovariectomia / cessar progestinas | Radioterapia / hipofisectomia | Trilostano / adrenalectomia | | Diabetes | Frequente — resistente à insulina | Frequente | Pode ocorrer | | Estridor | Presente (hipertrofia faríngea) | Menos comum | Ausente |

Perguntas frequentes

O que é a Acromegalia Canina e por que é diferente da acromegalia felina?+

A acromegalia canina e felina compartilham o excesso de GH como mecanismo — mas a origem desse excesso é radicalmente diferente entre as espécies. DEFINIÇÃO: acromegalia = excesso crônico de GH (Growth Hormone / Somatotropina) → elevação de IGF-1 (Insulin-like Growth Factor 1 / Somatomedina C) → resistência à insulina → hiperglicemia e diabetes mellitus → hipertrofia de tecidos moles; ACROMEGALIA CANINA — ORIGEM MAMÁRIA (não hipofisária): em cadelas, o GH em excesso é produzido pelo EPITÉLIO MAMÁRIO sob estimulação progesteroníca; FONTES DE PROGESTERONA: ENDÓGENA — diestro fisiológico (fase após o cio); EXÓGENA — progestinas administradas: acetato de medroxiprogesterona (MAP/MPA — Perlutex, Depo-Provera veterinário), progesterona injetável para prevenção de cio; MECANISMO: progesterona → estimulação de receptores mamários de GH → secreção local de GH → circulação sistêmica → IGF-1 elevado; SEM RELAÇÃO com tumor hipofisário em cadelas (diferente dos gatos); ACROMEGALIA FELINA — ORIGEM HIPOFISÁRIA: gatos: adenoma hipofisário produtor de GH (macro ou microadenoma); irradiação hipofisária ou hipofisectomia = tratamento nos gatos; ACROMEGALIA CANINA HIPOFISÁRIA: descrita em machos e em cadelas castradas (rara) — nesse caso sim, origem hipofisária como nos gatos; QUEM É AFETADO: CLÁSSICO: cadela de meia-idade (5-10 anos), intacta, com histórico de administração de progestinas para prevenção ou interrupção de cio; OU cadela intacta em fase de diestro; IMPORTANTE: a acromegalia canina é iatrogênica (por uso de progestinas) em muitos casos — prevenível com ovariectomia eletiva ou uso racional de progestinas.

Quais são os sinais clínicos e como diagnosticar a Acromegalia Canina?+

A acromegalia canina tem sinais que inicialmente podem ser confundidos com envelhecimento, Cushing ou hipotireoidismo — o estridor inspiratório e a resistência à insulina são os alertas mais específicos. SINAIS CLÍNICOS: ENGROSSAMENTO DE TECIDOS MOLES: espessamento da pele (ptialismo excessivo, dobras de pele na face); edema periorbital; palato mole e faringe aumentados → ESTRIDOR INSPIRATÓRIO; patas edematosas; PROGNATISMO: mandíbula alongada pelo crescimento ósseo em casos estabelecidos; POLIÚRIA/POLIDIPSIA: pela hiperglicemia diabética; DIABETES MELLITUS RESISTENTE À INSULINA: glicemia elevada; o cão pode já ter diabetes diagnosticada com progressiva necessidade de insulina acima de 2 UI/kg/dose; GALACTORREIA ESPONTÂNEA: em algumas cadelas; AUMENTO DE PESO: pelos efeitos anabólicos do GH inicialmente; SINAIS DE DIABETES AVANÇADA: catarata, infecções recorrentes, neuropatia; DIAGNÓSTICO: IGF-1 (SOMATOMEDINA C): proxy do GH (o GH é pulsátil — IGF-1 é mais estável); > 1.000 ng/mL: sugestivo; > 2.000 ng/mL: fortemente sugestivo de acromegalia; laboratório de referência ELISA canina; GLICEMIA E CURVA GLICÊMICA: hiperglicemia; resposta inadequada à insulina; INSULINOTERAPIA CRESCENTE: necessidade de doses progressivamente maiores = sinal de resistência; PROGESTINA NO HISTÓRICO: verificar uso de MAP ou progesterona nos últimos 12-24 meses; STATUS REPRODUTIVO: diestro recente ou cadela intacta; IMAGEM HIPOFISÁRIA: TC ou RM de crânio para excluir macroadenoma (em macho ou cadela castrada com acromegalia); DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: Hiperadrenocorticismo (Cushing): ACTH, cortisol, USG; hipotireoidismo: T4L; diabetes mellitus sem acromegalia: IGF-1 normal.

Qual é o tratamento da Acromegalia Canina e qual é o prognóstico?+

A ovariectomia é o tratamento definitivo na maioria dos casos — a resolução do excesso de GH depende da ausência de fibrose insular estabelecida. OVARIECTOMIA (TRATAMENTO PRINCIPAL): MECANISMO: remoção dos ovários elimina a progesterona endógena → cessa o estímulo progesteroníco → glândula mamária para de produzir GH excessivo → IGF-1 normaliza em semanas a meses; RESULTADO: normalização do IGF-1 em 4-8 semanas; diabetes mellitus pode RESOLVER COMPLETAMENTE se as células beta pancreáticas não houverem sofrido fibrose irreversível; estridor inspiratório melhora com a redução do edema faríngeo; tecidos moles regridem parcialmente; QUANTO ANTES MELHOR: ovariectomia precoce (antes do diabetes se estabelecer) = melhor prognóstico; ovariectomia após anos de diabetes = resolução menos provável; RETIRADA DE PROGESTINAS EXÓGENAS: cessar MAP ou progesterona injetável → mesma resolução espontânea como na ovariectomia; CABERGOLINA (AGONISTA DOPAMINÉRGICO): supressão parcial do GH mamário (mecanismo de dopamina nas células mamárias produtoras de GH); 5 µg/kg/semana; resposta variável — alternativa se ovariectomia contraindicada; ANÁLOGOS DE SOMATOSTATINA (OCTREOTIDA): inibe secreção de GH; resposta parcial em cães; disponibilidade e custo limitados no Brasil; MANEJO DO DIABETES NO INTERIM: insulinoterapia até a normalização da sensibilidade após ovariectomia; PROGNÓSTICO: EXCELENTE: ovariectomia antes de diabetes estabelecida; BOM: diabetes presente mas recente (< 6 meses) — pode resolver com ovariectomia; MODERADO/RESERVADO: fibrose insular estabelecida → diabetes persiste mesmo após resolução do GH; catarata diabética irreversível.

Como diferenciar a Acromegalia Canina do Hiperadrenocorticismo e quais são os cuidados a longo prazo?+

A acromegalia canina compartilha sinais com o Cushing e com o hipotireoidismo — o perfil hormonal específico diferencia cada condição. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: HIPERADRENOCORTICISMO (CUSHING): também causa poliúria, polidipsia, aumento de peso, pele pendular; DIFERENÇA: Cushing → cortisol elevado (ACTH + cortisol sérico, RCCU urinário), IGF-1 normal ou levemente aumentado; acromegalia → IGF-1 elevado, cortisol normal; HIPOTIREOIDISMO: letargia, ganho de peso, alopecia; T4L baixo + cTSH alto; IGF-1 normal; DIABETE MELLITUS SEM ACROMEGALIA: glicemia elevada, IGF-1 normal, não há estridor nem engrossamento facial; QUANDO SUSPEITAR DE ACROMEGALIA: diabetes em cadela intacta ou cadela com histórico de uso de progestinas; diabetes de difícil controle (necessidade crescente de insulina); estridor inspiratório novo em adulto sem história de BOAS; engrossamento facial progressivo; CUIDADOS A LONGO PRAZO: APÓS OVARIECTOMIA: monitorar IGF-1 em 4 e 8 semanas; remonitorar glicemia — possível redução progressiva da dose de insulina; DIABETES PERSISTENTE: se fibrose insular — manter insulinoterapia crônica; monitorar rins (nefropatia diabética); PREVENÇÃO: ovariectomia eletiva de cadelas que não serão usadas para reprodução = evita acromegalia iatrogênica e progesteroníca; EVITAR PROGESTINAS PARA CONTROLE DE CIO: acetato de medroxiprogesterona para prevenção de cio → risco real de acromegalia em uso crônico; alternativas: contraceptivo oral com menor atividade progesteroníca, implante de GnRH (Suprelorin), ovariectomia.

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Tricuríase Canina: Trichuris vulpis, o Whipworm do Cão

A Tricuríase é causada por Trichuris vulpis — o 'whipworm' (verme-chicote) do cão, nematódeo que vive no cólon e ceco. É uma das helmintoses mais resistentes ao ambiente: os ovos de T. vulpis sobrevivem 5+ anos no solo. Causa diarreia mucossanguinolenta crônica e anemia em infecções graves. Diagnóstico: coproparasitologia (ovos com tampões polares — morfologia característica). Tratamento: fenbendazol 50 mg/kg por 3-5 dias (praziquantel NÃO tem efeito). Não é zoonose significativa para humanos — existe T. trichiura humana mas são espécies diferentes.

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Toxocarose Canina: Toxocara canis, Zoonose e Larva Migrans

A Toxocarose é causada por Toxocara canis — o áscaris do cão, nematódeo da família Toxocaridae. É uma das helmintoses mais prevalentes no mundo. Cães filhotes são os principais hospedeiros e disseminadores. Zoonose importante: a larva de T. canis em humanos causa Larva Migrans Visceral (fígado, pulmão, olho) e Larva Migrans Ocular — com risco de cegueira. Transmissão: ingestão de ovos embrionados no solo. Tratamento no cão: pirantel ou fenbendazol. Prevenção: vermifugação regular + higiene.

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Sebadenite Sebácea Canina: Destruição Imunomediada das Glândulas Sebáceas, Poodle Standard e Ciclosporina

A Sebadenite Sebácea (SS) é uma dermatopatia inflamatória imunomediada que destrói seletivamente as glândulas sebáceas. RAÇAS MAIS AFETADAS: Poodle Standard (prevalência estimada 1-5% da raça), Akita, Samoieda, Vizsla. DIAGNÓSTICO: biópsia cutânea com ausência ou destruição granulomatosa das glândulas sebáceas. SINAIS PATOGNOMÔNICOS: cilindros perifoliculares (casts) aderentes ao pelo; escamas foliculares; alopecia progressiva. TRATAMENTO: ciclosporina (5 mg/kg 1x/dia) + tratamento tópico intensivo (spray de óleo de girassol ou azeite). Sem cura — controle crônico.