Saúde

Anemia Aplástica em Cães: Aplasia de Medula e Pancitopenia

A Anemia Aplástica (AA) canina — também chamada aplasia medular — é a falência da medula óssea em produzir células sanguíneas de todas as linhagens, resultando em pancitopenia (anemia + trombocitopenia + leucopenia). Causas: Ehrlichiose crônica (principal no Brasil), toxicidade por estrógeno (tumor de Sertoli, estrógeno exógeno), fármacos mielossupressores (cloranfenicol, quimioterápicos), imunomediada idiopática. Diagnóstico: mielograma ou biopsia de medula. Tratamento: imunossupressão (ciclosporina) + transfusão + fator de crescimento hematopoiético.

01 de junho de 2026·1 min de leitura

O cão não castrado chegou com mucosas brancas, petéquias nas gengivas e neutrófilos em 400/μL — e o hemograma mostrou pancitopenia em todas as três linhagens simultaneamente.

Aplasia medular. A medula que parou de produzir tudo — hemácias, plaquetas, neutrófilos.

O tumor de Sertoli que o veterinário encontrou no testículo esquerdo. O estrógeno que silenciosamente destruiu as células-tronco da medula enquanto o tutor não notava.

O mielograma: celularidade de 10%, espaço medular preenchido de gordura onde deveria haver precursores.

Ehrlichiose crônica — a causa mais frequente no Brasil antes de diagnosticar AA idiopática. Doxiciclina quarenta e dois dias. A medula que às vezes se recupera, às vezes não.

Ciclosporina para os casos imunomediados. Transfusão para o hematócrito de doze por cento que não espera.

Causas de Pancitopenia/Aplasia Medular em Cães — Brasil

| Causa | Prevalência BR | Tratamento Específico | |---|---|---| | Ehrlichiose crônica | Alta | Doxiciclina 28-42 dias | | Tumor de Sertoli (estrógeno) | Moderada | Orquiectomia | | AA imunomediada | Baixa | Ciclosporina + prednisolona | | Cloranfenicol / quimioterápico | Iatrogênica | Suspensão do fármaco |

Diagnóstico Diferencial — Pancitopenia em Cão

| Diagnóstico | Medula | Reticulócitos | Diferencial | |---|---|---|---| | Aplasia medular (AA) | Hipoplásica, gordurosa | Baixos | Ehrlichia, estrógeno | | Anemia hemolítica | Hiperplásica | Altos | Coombs positivo | | Leucemia/Linfoma | Infiltrada | Variável | Citologia medular |

Perguntas frequentes

O que é a Anemia Aplástica e como ela se diferencia de outras anemias?+

A Anemia Aplástica (AA; inglês: Aplastic Anemia — AA; também: aplasia medular, pancitopenia aplástica, hipoplasia medular grave; não confundir com: Anemia hemolítica imunomediada (AHIM) — destruição de eritrócitos existentes; a medula na AHIM está HIPERATIVA (regenerativa), ao contrário da AA; Anemia por deficiência de ferro — medula ativa mas com produção de hemácias microcíticas; Anemia de doença crônica — supressão medular leve/moderada por citocinas inflamatórias; Leucopenia isolada — redução de apenas uma linhagem, não pancitopenia; Mielodisplasia — produção anormal mas não necessariamente hipoplasia grave; Trombocitopenia imunomediada (TIM) — apenas plaquetas afetadas) é a falência global da medula óssea em produzir células de todas as linhagens hematopoiéticas. Pancitopenia — o padrão diagnóstico: a AA causa pancitopenia = redução simultânea de TODAS as linhagens celulares do sangue: Anemia (eritrócitos ↓): mucosas pálidas, letargia, taquicardia; Trombocitopenia (plaquetas ↓): petéquias, equimoses, sangramento espontâneo (epistaxe, gengivorragia, hematúria); Leucopenia (leucócitos ↓): especialmente neutropenia → imunossupressão → infecções oportunistas bacterianas; a combinação dos três é o sinal de alerta — pancitopenia em qualquer cão exige exclusão de causa medular; Mecanismo fisiopatológico: a medula óssea saudável contém: células-tronco hematopoiéticas pluripotentes + nicho estromal + fatores de crescimento; na AA: a célula-tronco pluripotente é destruída ou suprimida → todas as linhagens falham simultaneamente; o espaço medular é substituído por gordura (hipoplasia gordurosa) — visível na biopsia.

Quais são as causas de Anemia Aplástica em cães no Brasil?+

No Brasil, as causas de AA seguem padrão específico com destaque para doenças infecciosas endêmicas. EHRLICHIOSE CRÔNICA (Ehrlichia canis) — principal causa no Brasil: a fase crônica da Ehrlichiose pode causar aplasia medular; mecanismo: a E. canis infecta os monócitos → destruição de células-tronco hematopoiéticas + supressão por citocinas + hipoplasia medular progressiva; pancitopenia grave em fase crônica — diferente da trombocitopenia isolada da fase aguda; REGRA: todo cão com pancitopenia no Brasil deve ter sorologia/PCR para Ehrlichia antes de diagnóstico de AA 'idiopática'; TOXICIDADE POR ESTRÓGENO: TUMOR DE SERTOLI: o mais importante — o tumor de Sertoli (nos túbulos seminíferos) produz estrógeno endógeno; o estrógeno em excesso é mielotóxico — suprime a hematopoiese; cão com tumor testicular + pancitopenia: suspeitar de tumor de Sertoli produtor de estrógeno; orquiectomia resolutiva se tumor identificado; ESTRÓGENO EXÓGENO: uso de estrógeno para contraceptivo de emergência ('aborto hormonal') em cadelas — causa clássica de AA iatrogênica; FÁRMACOS MIELOSSUPRESSORES: CLORANFENICOL: uso prolongado pode suprimir a medula — raro com as doses terapêuticas atuais; quimioterápicos (vincristina, ciclofosfamida, doxorrubicina): supressão previsível dose-dependente — não é AA verdadeira mas mielossupressão farmacológica; trimetoprim-sulfa (TMP-SMX) uso prolongado: descrito em cães sensíveis; IMUNOMEDIADA IDIOPÁTICA: análogo humano — linfócitos T citotóxicos destroem células-tronco hematopoiéticas; diagnóstico de exclusão após excluir Ehrlichia, estrógeno, fármacos.

Como é feito o diagnóstico de Anemia Aplástica?+

O diagnóstico de AA exige confirmação pelo estudo da medula óssea — o hemograma apenas suspeita. Hemograma: PANCITOPENIA — anemia NÃO regenerativa (reticulócitos baixos — a medula não responde), trombocitopenia, leucopenia com neutropenia; anemia NÃO regenerativa é a chave — distingue AA de AHIM (que é regenerativa); Esfregaço de sangue: eritrócitos normocíticos normocrômicos (sem policromasia); ausência de esquistócitos (diferente de CIVD); plaquetas muito reduzidas; neutrófilos hipossegmentados ou diminuídos; Bioquímica/Sorologia: sorologia para Ehrlichia (SNAP 4Dx ou IFA) — obrigatória no Brasil; PCR para Ehrlichia canis — mais sensível; ultrassom testicular: massa em cão não castrado → tumor de Sertoli; estrógeno sérico: elevado em tumor de Sertoli; MIELOGRAMA (ASPIRADO DE MEDULA): punção: crista ilíaca ou úmero proximal; confirmação de hipoplasia: celularidade muito reduzida, espaço medular com gordura; nas fases iniciais: ainda há alguma celularidade; BIOPSIA DE MEDULA (PADRÃO-OURO): histologia: medula óssea substituída por tecido adiposo; celularidade < 25% (normal: 50-75%); confirma AA verdadeira; distingue AA de mielodisplasia e leucemia; Diagnóstico diferencial de pancitopenia em cão: Ehrlichiose crônica; Leishmaniose avançada (medula infiltrada); Tumor de Sertoli com toxicidade estrogênica; Leucemia/Linfoma com infiltração medular; AA imunomediada idiopática.

Como é o tratamento da Anemia Aplástica canina?+

O tratamento de AA combina suporte hematológico, tratamento da causa e imunossupressão. TRATAR A CAUSA (quando identificada): Ehrlichiose: doxiciclina 10 mg/kg SID por 28-42 dias — a medula pode se recuperar completamente após eliminação da Ehrlichia; Tumor de Sertoli: orquiectomia — remoção do tumor remove a fonte de estrógeno; a medula pode se recuperar em 4-8 semanas após orquiectomia se não houver dano permanente; Fármaco: suspensão do agente mielossupressor; SUPORTE HEMATOLÓGICO: TRANSFUSÃO DE CONCENTRADO DE HEMÁCIAS: indicada se Hematócrito < 15-18% + sinais clínicos graves; agentes de compatibilidade: DEA 1.1 negativo como doador universal; TRANSFUSÃO DE CONCENTRADO DE PLAQUETAS: se sangramento ativo com plaquetas < 20.000/μL; ANTIBIOTICOTERAPIA PROFILÁTICA: neutropenia grave (< 500/μL): risco de sepse; amoxicilina-clavulanato ou enrofloxacino prophylaxis; IMUNOSSUPRESSÃO (AA imunomediada ou sem causa identificada): CICLOSPORINA: 5-10 mg/kg BID; mecanismo: inibe linfócitos T citotóxicos que destroem células-tronco; resposta esperada: semanas a meses; PREDNISOLONA: imunossupressão inicial — sozinha raramente suficiente; FATORES DE CRESCIMENTO HEMATOPOIÉTICO: filgrastim (G-CSF): estimula produção de neutrófilos — útil em neutropenia grave; eritropoietina recombinante: estimula eritropoiese — resposta apenas se há precursores residuais; TRANSPLANTE DE MEDULA ÓSSEA: descrito em cães mas disponibilidade extremamente limitada; Prognóstico: Ehrlichia tratada precocemente: bom — recuperação medular possível; tumor de Sertoli removido: bom; AA idiopática grave: reservado — mortalidade significativa.

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Saúde

Tricuríase Canina: Trichuris vulpis, o Whipworm do Cão

A Tricuríase é causada por Trichuris vulpis — o 'whipworm' (verme-chicote) do cão, nematódeo que vive no cólon e ceco. É uma das helmintoses mais resistentes ao ambiente: os ovos de T. vulpis sobrevivem 5+ anos no solo. Causa diarreia mucossanguinolenta crônica e anemia em infecções graves. Diagnóstico: coproparasitologia (ovos com tampões polares — morfologia característica). Tratamento: fenbendazol 50 mg/kg por 3-5 dias (praziquantel NÃO tem efeito). Não é zoonose significativa para humanos — existe T. trichiura humana mas são espécies diferentes.

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Toxocarose Canina: Toxocara canis, Zoonose e Larva Migrans

A Toxocarose é causada por Toxocara canis — o áscaris do cão, nematódeo da família Toxocaridae. É uma das helmintoses mais prevalentes no mundo. Cães filhotes são os principais hospedeiros e disseminadores. Zoonose importante: a larva de T. canis em humanos causa Larva Migrans Visceral (fígado, pulmão, olho) e Larva Migrans Ocular — com risco de cegueira. Transmissão: ingestão de ovos embrionados no solo. Tratamento no cão: pirantel ou fenbendazol. Prevenção: vermifugação regular + higiene.

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Sebadenite Sebácea Canina: Destruição Imunomediada das Glândulas Sebáceas, Poodle Standard e Ciclosporina

A Sebadenite Sebácea (SS) é uma dermatopatia inflamatória imunomediada que destrói seletivamente as glândulas sebáceas. RAÇAS MAIS AFETADAS: Poodle Standard (prevalência estimada 1-5% da raça), Akita, Samoieda, Vizsla. DIAGNÓSTICO: biópsia cutânea com ausência ou destruição granulomatosa das glândulas sebáceas. SINAIS PATOGNOMÔNICOS: cilindros perifoliculares (casts) aderentes ao pelo; escamas foliculares; alopecia progressiva. TRATAMENTO: ciclosporina (5 mg/kg 1x/dia) + tratamento tópico intensivo (spray de óleo de girassol ou azeite). Sem cura — controle crônico.