Capilariose Canina: Capillaria nos Pulmões, Bexiga e Fígado
A Capilariose é causada por nematódeos do gênero Capillaria (atualmente reclassificado: Eucoleus aerophilus para pulmão; Pearsonema plica para bexiga) — parasitas com localizações distintas e manifestações clínicas diferentes. Capillaria aerophila/Eucoleus: parasita respiratório — tosse crônica. Capillaria plica/Pearsonema: parasita urinário — cistite. Capillaria hepatica: parasita hepático — raro em cão, zoonose grave. Diagnóstico: ovos operculados característicos nas fezes ou urina. Tratamento: fenbendazol ou ivermectina.
O veterinário pediu a flotação específica porque a tosse já durava dois meses, três cursos de antibióticos não resolveram, e a radiografia de tórax mostrava bronquite sem foco pneumônico — e o ovo operculado com estriações na superfície confirmou o Eucoleus que vivia nos brônquios.
Capillaria. O verme tão fino que parece um fio — um centímetro e meio de parasita que vive dentro do epitélio brônquico, não no lúmen, e que o animal de campo ingeriu junto com a minhoca que encontrou no jardim úmido depois da chuva.
A cistite que voltou quatro vezes em oito meses com antibiótico correto e cultura negativa — e o sedimento urinário que mostrou os ovos de Pearsonema plica que a bexiga acumulava enquanto o diagnóstico apontava para resistência bacteriana.
O fenbendazol que é a única opção e que precisa de catorze dias consecutivos — enquanto o praziquantel do vermífugo mensal não toca nenhuma espécie de Capillaria.
O Calodium hepaticum do fígado do roedor que o cão comeu no campo — e a hepatite aguda com icterícia que o veterinário não sabia que era parasitária até a biópsia revelar os ovos presos no parênquima.
Capilariose Canina — Espécies, Localização e Diagnóstico
| Espécie | Nome Atual | Localização | Sinal Principal | Diagnóstico | |---|---|---|---|---| | C. aerophila | Eucoleus aerophilus | Pulmão/brônquios | Tosse crônica | Ovos em fezes/lavado | | C. plica | Pearsonema plica | Bexiga/rim | Cistite recorrente | Ovos no sedimento urinário | | C. hepatica | Calodium hepaticum | Fígado | Hepatite aguda | Biópsia hepática |
Perguntas frequentes
O que é a Capillaria e quais são as espécies que afetam cães?+
O gênero Capillaria (família Trichuridae — relacionado com Trichuris) foi recentemente dividido em vários gêneros, mas o nome Capillaria ainda é usado na prática clínica. ESPÉCIES RELEVANTES EM CÃOS: 1) CAPILLARIA AEROPHILA (nome atual: Eucoleus aerophilus; inglês: fox lungworm, respiratory capillariasis; não confundir com Angiostrongylus vasorum — verme do coração/artéria pulmonar, diferente; Oslerus osleri — parasita de traqueia e brônquios de canídeos, diferente): LOCALIZAÇÃO: traqueia, brônquios, parênquima pulmonar; hospedeiro definitivo: cão, gato, raposa, outros carnívoros; CICLO: direto (sem hospedeiro intermediário obrigatório) ou indireto via minhocas como hospedeiro paraténico; ovos eliminados no escarro/fezes; 2) CAPILLARIA PLICA (nome atual: Pearsonema plica; inglês: bladder worm): LOCALIZAÇÃO: pelve renal, ureter, bexiga urinária; hospedeiro: cão, gato, raposa; CICLO: indireto — necessita minhoca como hospedeiro intermediário; cão ingere minhoca infectada → larvas migram para vias urinárias; ovos eliminados na urina; 3) CAPILLARIA HEPATICA (nome: Calodium hepaticum; inglês: hepatic capillariasis): LOCALIZAÇÃO: parênquima hepático; HOSPEDEIRO PRINCIPAL: roedores; cão e humano são hospedeiros acidentais; CICLO: único e peculiar — ovos ficam presos no fígado do hospedeiro, só são liberados quando o hospedeiro morre e é decomposto ou quando predador come o fígado; RARO EM CÃO mas de interesse como ZOONOSE ACIDENTAL; Características gerais do parasita: verme muito fino e longo (1-2 cm em C. aerophila); ovos com rolhas polares (operculados) — característica diagnóstica; resistentes no ambiente.
Quais são os sinais clínicos de cada tipo de capilariose?+
Cada espécie de Capillaria tem manifestação clínica distinta conforme a localização. CAPILARIOSE RESPIRATÓRIA (C. aerophila/E. aerophilus): TOSSE CRÔNICA: sinal principal — tosse persistente que não responde a antibióticos; pode ser produtiva ou seca; BRONQUITE CRÓNICA: carga alta pode causar bronquite e broncopneumonia; DISPNEIA: casos graves com infestação maciça; EXCREÇÃO NASAL: possível nas formas mais intensas; cão frequentemente avaliado para traqueobronquite infecciosa (tosse dos canis) sem melhora até parasita ser identificado; populações em risco: cão que ingere minhocas (farejadores, cães de campo, cães que vivem em ambientes úmidos com acesso ao solo); CAPILARIOSE URINÁRIA (C. plica/P. plica): FREQUENTEMENTE ASSINTOMÁTICA — descoberta incidental; CISTITE: hematúria (sangue na urina), disúria (esforço para urinar), polaquiúria (urinar frequente em pequenas quantidades); DIFERENCIAL COM ITU BACTERIANA: cão com cistite recorrente que não melhora com antibióticos → investigar P. plica; diagnóstico por sedimento urinário (ovos na urina); cão que caça ou vive em área rural e come minhocas; CAPILARIOSE HEPÁTICA (C. hepatica — rara): HEPATITE AGUDA: febre, icterícia, aumento de enzimas hepáticas (ALT, FA); dor abdominal; pode evoluir para insuficiência hepática; DIAGNÓSTICO: biópsia hepática — ovos no parênquima do fígado; difícil diagnóstico clínico sem biópsia.
Como é feito o diagnóstico e o tratamento da capilariose?+
O diagnóstico da capilariose exige método e amostra corretos conforme a espécie. Diagnóstico: CAPILARIOSE RESPIRATÓRIA: FEZES por flotação ou sedimentação: ovos de E. aerophilus podem aparecer nas fezes por serem deglutidos com o escarro; OVO CARACTERÍSTICO: oval, casca grossa com estriações, ROLHAS POLARES (operculados) — similar ao ovo de Trichuris mas menor e com estriações mais marcadas; LAVADO BRONCOALVEOLAR: pode revelar ovos e larvas diretamente das vias aéreas; CAPILARIOSE URINÁRIA: SEDIMENTO URINÁRIO: coleta de urina por jato livre ou cistocente; ovos de P. plica no sedimento — operculados, similares ao E. aerophilus; IMPORTANTE: a urina deve ser analisada fresca ou refrigerada — ovos podem se deformar; IMAGEM: ultrassom vesical pode mostrar espessamento de parede em casos de cistite parasitária; CAPILARIOSE HEPÁTICA: BIÓPSIA HEPÁTICA: padrão ouro; histologia mostrando ovos no parênquima; Tratamento: FENBENDAZOL: tratamento de escolha para todas as formas; dose: 50 mg/kg/dia por 10-14 dias (mais longo que para outros helmintos); IVERMECTINA: 200 mcg/kg; eficaz contra E. aerophilus; verificar MDR1 em raças predispostas (Collie, Aussie); ALBENDAZOL: alternativa; disponibilidade limitada em medicina veterinária no Brasil; CONTROLE DA REINFECÇÃO: evitar contato com minhocas (ambiente úmido, jardins); reduzir acesso ao solo em cães de campo ou farejadores; difícil prevenção em cães de trabalho.
A capilariose é uma zoonose e como proteger tutores e família?+
O potencial zoonótico da capilariose varia conforme a espécie. CAPILLARIA HEPATICA (Calodium hepaticum) — ZOONOSE REAL: humanos se infectam ao ingerir ovos do ambiente (solo contaminado por roedores mortos) ou ao comer fígado de roedor cru infectado; CAPILARIOSE HEPÁTICA HUMANA: doença rara mas grave; hepatite aguda com ovos no fígado; casos documentados principalmente em crianças em contato com solo; em áreas com alta densidade de roedores; EPIDEMIOLOGIA: a infecção canina acidental com C. hepatica é incomum (cão come fígado de roedor); os ovos ficam no fígado do cão e raramente são eliminados nas fezes normalmente; CAPILLARIA AEROPHILA — ZOONOSE RARA: casos humanos descritos (bronquite parasitária) — extremamente raros; não constitui risco significativo; CAPILLARIA PLICA — NÃO É ZOONOSE: parasita específico de carnívoros; não infecta humanos; Prevenção geral: VERMIFUGAÇÃO COM FENBENDAZOL: os vermífugos padrão (praziquantel/pirantel) NÃO eliminam Capillaria — o fenbendazol é necessário; cão com tosse crônica ou cistite recorrente deve ser investigado para Capillaria antes de vermifugação específica; CONTROLE DE ROEDORES: reduz C. hepatica no ambiente; EVITAR MINHOCAS: para C. aerophila e P. plica; difícil em cão de campo; AVISO PARA VETERINÁRIOS: exame de fezes negativo para vermes comuns NÃO descarta capilariose — exame específico com flotação ou sedimentação e identificação de ovos operculados é necessário.
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Tricuríase Canina: Trichuris vulpis, o Whipworm do Cão
A Tricuríase é causada por Trichuris vulpis — o 'whipworm' (verme-chicote) do cão, nematódeo que vive no cólon e ceco. É uma das helmintoses mais resistentes ao ambiente: os ovos de T. vulpis sobrevivem 5+ anos no solo. Causa diarreia mucossanguinolenta crônica e anemia em infecções graves. Diagnóstico: coproparasitologia (ovos com tampões polares — morfologia característica). Tratamento: fenbendazol 50 mg/kg por 3-5 dias (praziquantel NÃO tem efeito). Não é zoonose significativa para humanos — existe T. trichiura humana mas são espécies diferentes.
Toxocarose Canina: Toxocara canis, Zoonose e Larva Migrans
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Sebadenite Sebácea Canina: Destruição Imunomediada das Glândulas Sebáceas, Poodle Standard e Ciclosporina
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