Saúde

Catarata em Cães: Opacidade do Cristalino, Cirurgia e Esclerose Nuclear

A catarata canina é a opacidade do cristalino — progressiva e potencialmente cegante. Causas principais: hereditária (mais comum, início jovem), diabética (secundária ao diabetes mellitus — 75% dos cães diabéticos desenvolvem catarata em 18 meses), senil (idosos). Diagnóstico diferencial crítico: esclerose nuclear — aspecto cinza-prateado normal do cristalino envelhecido, NÃO é catarata, NÃO precisa de cirurgia. Tratamento da catarata: cirurgia de facoemulsificação. Sem tratamento: uveíte induzida pelo cristalino → glaucoma → dor crônica.

01 de junho de 2026·2 min de leitura

A tutora chegou com o Poodle de oito anos certo de que a catarata havia aparecido em dois dias — e o oftalmologista veterinário colocou a lâmpada de fenda na frente do olho, fez a retroiluminação, e explicou que o aspecto prateado-cinza era esclerose nuclear normal do envelhecimento, que a luz ainda atravessava o cristalino, e que a cirurgia não era necessária nem recomendada.

Catarata. A opacidade que bloqueia a luz em vez de transmiti-la — o cristalino que deveria ser transparente como vidro e que ficou branco como porcelana quando as proteínas se desnaturaram, quando as fibras perderam a organização paralela que mantinha a transparência.

O Boston Terrier de dois anos com a catarata hereditária bilateral que o exame CAER nos progenitores havia identificado como risco e que o criador responsável havia declarado antes da venda — e a facoemulsificação que o oftalmologista realizou com a retina funcionante confirmada pelo eletrorretinograma, antes da hipermaturação.

A catarata do Schnauzer diabético que ficou branca em três semanas porque a glicemia de quinhentos miligramas por decilitro acumulou sorbitol no cristalino mais rapidamente do que qualquer catarata hereditária consegue progredir — e o controle inadequado do diabetes que havia sido o verdadeiro problema desde o começo.

A uveíte facoinduzida que o Golden desenvolveu quando a catarata hipermatura liberou proteínas pelo cristalino envelhecido — a inflamação que elevou a pressão intraocular para quarenta milímetros de mercúrio, que causou dor crônica, e que a cirurgia poderia ter evitado seis meses antes quando a catarata era matura e a retina ainda funcionava.

Tipos de Catarata Canina — Diagnóstico e Manejo

| Tipo | Início | Progressão | Raças | Tratamento | |---|---|---|---|---| | Hereditária | Jovem-adulto | Lenta-moderada | Poodle, Labrador, Cavalier | Facoemulsificação | | Diabética | Qualquer | Rápida | Qualquer | Controle DM + cirurgia | | Senil | Idoso | Lenta | Qualquer | Monitorar; cirurgia se necessário | | Esclerose nuclear | Idoso | — (normal) | Universal em idosos | Nenhum |

Perguntas frequentes

O que é a catarata e como se diferencia da esclerose nuclear?+

A catarata e a esclerose nuclear são condições diferentes que produzem aspecto semelhante ao olho — a distinção é crítica. CRISTALINO NORMAL: estrutura transparente biconvexa atrás da pupila; focaliza a luz na retina; composto por fibras de cristalinas (proteínas); CATARATA: opacidade de qualquer parte do cristalino por desnaturação das proteínas ou alteração da organização das fibras; pode ser focal (ponto branco) a total (cristalino completamente branco); PROGRESSIVA: a maioria das cataratas progride; velocidade variável conforme a causa; CATARATA TOTAL: bloqueia a visão quase completamente; o cão fica praticamente cego; ESCLEROSE NUCLEAR (Lenticular Sclerosis): PROCESSO NORMAL DE ENVELHECIMENTO do cristalino; as fibras do núcleo do cristalino ficam compactadas com o avanço da idade → o núcleo parece cinza-prateado, turvo; INÍCIO: geralmente após os 6-7 anos; quase universal em cães idosos acima de 10 anos; NÃO É CATARATA: a esclerose nuclear não bloqueia significativamente a visão; o cão vê normalmente apesar do aspecto turvo; NÃO REQUER TRATAMENTO; DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: exame com lâmpada de fenda (biomicroscopia) pelo oftalmologista veterinário; reflexo tapetal: na esclerose nuclear, a luz ainda reflete no tapeto (reflexo verde/amarelo visível); na catarata densa, o reflexo tapetal é bloqueado; retroiluminação: cristalino com esclerose transmite luz; cristalino com catarata opaca não; O ERRO COMUM: tutor vê olho turvo do cão idoso → 'catarata' → preocupação; maioria dos casos = esclerose nuclear normal → tranquilizar após avaliação.

Quais são os tipos de catarata e suas causas em cães?+

As cataratas caninas são classificadas por origem, localização e estágio. CLASSIFICAÇÃO POR CAUSA: 1) HEREDITÁRIA/GENÉTICA: a mais comum em cão; herança autossômica em diversas raças; início jovem (filhotes a adultos jovens); raças mais afetadas: Boston Terrier, Cavalier KCS, Bichon Frisé, Poodle Standard, Labrador, Golden Retriever, Husky Siberiano, Schnauzer Miniature; exame CAER (Companion Animal Eye Registry) é o teste de rastreamento nos progenitores; 2) DIABÉTICA: hiperglicemia crônica → acúmulo de sorbitol no cristalino por via do sorbitol (aldose redutase) → desequilíbrio osmótico → ruptura das fibras → opacidade rápida; 75% dos cães diabéticos desenvolvem catarata em 18 meses de hiperglicemia; progressão mais rápida que a hereditária; bilateral; 3) SENIL/SENIL: envelhecimento normal com maior compactação → pode progredir para catarata; diferente da esclerose nuclear (que é benigna); 4) SECUNDÁRIA (uveíte, trauma): uveíte crônica pode causar catarata; trauma ocular direto; 5) NUTRICIONAL: rara — deficiência de riboflavina (vitamina B2) em filhotes de criação intensiva; CLASSIFICAÇÃO POR ESTÁGIO: Incipiente: < 15% do cristalino afetado; visão preservada; Imatura: 15-99%; visão reduzida; Matura: 100%; cegueira; Hipermatura: proteínas desnaturadas saem pelo cristalino → uveíte facoinduzida; LOCALIZAÇÃO: posterior subcapsular (diabética), nuclear (hereditária em algumas raças), cortical.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento cirúrgico da catarata?+

A catarata canina tem diagnóstico clínico e tratamento cirúrgico específico. Diagnóstico: EXAME OFTALMOLÓGICO COMPLETO: avaliação sob penumbra com lâmpada de fenda; retroiluminação para mapear extensão; tonometria (pressão intraocular) — descartar glaucoma associado; eletrorretinograma (ERG): avalia função da retina ANTES da cirurgia; se a retina não funcionar (por descolamento ou atrofia), a cirurgia não restaura a visão; INDICAÇÃO CIRÚRGICA: catarata imatura a matura com retina funcionante; melhor resultado quando operado antes da hipermaturação; Cirurgia — FACOEMULSIFICAÇÃO: padrão ouro em oftalmologia veterinária; sob microscópio, anestesia geral; a catarata é fragmentada por ultrassom e aspirada; lente intraocular artificial (LIO) implantada no lugar; RESULTADO: 90-95% de sucesso com restauração da visão quando operado com retina funcionante e sem glaucoma prévio; CONTRAINDICAÇÕES: retina não funcionante (ERG plano); glaucoma estabelecido com dano ao nervo óptico; uveíte ativa não controlada; ANTINFLAMATÓRIOS PRÉ-CIRÚRGICOS: colírio anti-inflamatório por 2-4 semanas antes da cirurgia para controlar inflamação intraocular; COLÍRIO PÓS-CIRÚRGICO: regime de 4-6 semanas de colírios; UVEÍTE FACOINDUZIDA: catarata hipermatura libera proteínas que causam inflamação intraocular intensa → glaucoma secundário → DOR CRÔNICA; O cão com catarata matura não operada entra em ciclo de dor crônica.

Como a catarata diabética é diferente e como prevenir em cão diabético?+

A catarata diabética tem características específicas que a tornam diferente das formas hereditárias. PROGRESSÃO RÁPIDA: a catarata diabética pode ir de normal a catarata total em semanas a meses; muito mais rápida que a hereditária; o tutor frequentemente relata 'o olho ficou branco do dia para a noite'; BILATERAL: quase sempre afeta ambos os olhos simultaneamente ou com pouco intervalo; MECANISMO: aldose redutase converte glicose em sorbitol no cristalino; sorbitol se acumula → entrada osmótica de água → ruptura das fibras de cristalina; A RELAÇÃO COM O CONTROLE GLICÊMICO: cão com diabetes controlada (glicemia < 200 mg/dL) tem menor velocidade de progressão da catarata; o controle inadequado do diabetes acelera dramaticamente; MAS A CATARATA NÃO REVERTE COM O CONTROLE DO DIABETES: uma vez formada, a catarata não desaparece com a normalização da glicemia; a prevenção é o controle adequado do diabetes; QUANDO OPERAR O CÃO DIABÉTICO COM CATARATA: a cirurgia de facoemulsificação é possível no diabético; requer controle glicêmico adequado antes da cirurgia; risco anestésico maior → monitoração da glicemia durante e após a anestesia; ERG obrigatório — a retinopatia diabética pode comprometer a retina; INIBIDORES DA ALDOSE REDUTASE: estudados como potencial preventivo da catarata diabética; uso em medicina humana; em veterinária, ainda em investigação; COLÍRIO ANTIOXIDANTE/PREVENTIVO: produtos contendo carnosina ou N-acetilcarnosina são comercializados como preventivos de catarata canina; evidência científica ainda limitada em cão; o controle glicêmico é a prevenção com melhor evidência.

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Saúde

Tricuríase Canina: Trichuris vulpis, o Whipworm do Cão

A Tricuríase é causada por Trichuris vulpis — o 'whipworm' (verme-chicote) do cão, nematódeo que vive no cólon e ceco. É uma das helmintoses mais resistentes ao ambiente: os ovos de T. vulpis sobrevivem 5+ anos no solo. Causa diarreia mucossanguinolenta crônica e anemia em infecções graves. Diagnóstico: coproparasitologia (ovos com tampões polares — morfologia característica). Tratamento: fenbendazol 50 mg/kg por 3-5 dias (praziquantel NÃO tem efeito). Não é zoonose significativa para humanos — existe T. trichiura humana mas são espécies diferentes.

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Toxocarose Canina: Toxocara canis, Zoonose e Larva Migrans

A Toxocarose é causada por Toxocara canis — o áscaris do cão, nematódeo da família Toxocaridae. É uma das helmintoses mais prevalentes no mundo. Cães filhotes são os principais hospedeiros e disseminadores. Zoonose importante: a larva de T. canis em humanos causa Larva Migrans Visceral (fígado, pulmão, olho) e Larva Migrans Ocular — com risco de cegueira. Transmissão: ingestão de ovos embrionados no solo. Tratamento no cão: pirantel ou fenbendazol. Prevenção: vermifugação regular + higiene.

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Sebadenite Sebácea Canina: Destruição Imunomediada das Glândulas Sebáceas, Poodle Standard e Ciclosporina

A Sebadenite Sebácea (SS) é uma dermatopatia inflamatória imunomediada que destrói seletivamente as glândulas sebáceas. RAÇAS MAIS AFETADAS: Poodle Standard (prevalência estimada 1-5% da raça), Akita, Samoieda, Vizsla. DIAGNÓSTICO: biópsia cutânea com ausência ou destruição granulomatosa das glândulas sebáceas. SINAIS PATOGNOMÔNICOS: cilindros perifoliculares (casts) aderentes ao pelo; escamas foliculares; alopecia progressiva. TRATAMENTO: ciclosporina (5 mg/kg 1x/dia) + tratamento tópico intensivo (spray de óleo de girassol ou azeite). Sem cura — controle crônico.