Saúde

Diskospondilite em Cães: Infecção do Disco Intervertebral

A diskospondilite (DSP) é a infecção bacteriana ou fúngica do disco intervertebral e dos corpos vertebrais adjacentes. Causa: hematogênica (Brucella canis é a mais importante), Staphylococcus pseudintermedius, Streptococcus, Aspergillus. Sinais: dor vertebral grave + paraparesia progressiva. Diagnóstico: radiografia (destruição vertebral) + cultura. Brucella canis: ZOONOSE. Tratamento: antibioticoterapia prolongada (6-12 semanas).

31 de maio de 2026·1 min de leitura

O Pastor Alemão de cinco anos parou de subir escadas há três semanas.

Dor à palpação de L4-L5. Febre. Letargia. Perda de peso.

Radiografia: lise dos pratos vertebrais. Espaço discal colapsado.

Hemocultura positiva para Brucella canis. O macho não era castrado.

Diskospondilite. Zoonose. Equipe com luvas. Enrofloxacino + doxiciclina.

Oito semanas depois: dor resolvida, neurologia preservada. O tutor: sorologia negativa.

Causas de Diskospondilite por Frequência

| Agente | Via de entrada | Notas | |---|---|---| | Brucella canis | Genital → hematogênica | ZOONOSE — usar luvas, notificar | | Staphylococcus pseudintermedius | Oral/dérmica → hematogênica | Mais comum em fêmeas | | Streptococcus spp. | Oral/urinária | Frequente | | Aspergillus spp. | Inalatória → hematogênica | Pastor Alemão predisposto | | E. coli | Urinária → hematogênica | Associado a ITU |

Diagnóstico

| Exame | Achado | Sensibilidade | |---|---|---| | Radiografia | Lise pratos vertebrais + colapso discal | Moderada (atraso 2-4 sem) | | TC | Destruição óssea detalhada | Alta | | RM | Extensão inflamação + compressão medular | Muito alta | | Hemocultura | Bacteremia | Variável (50-80%) | | Sorologia Brucella | RSAT / MPAT / PCR | Alta para Brucella |

Tratamento

| Agente | Antibiótico | Duração | |---|---|---| | Staphylococcus / Streptococcus | Enrofloxacino ± cefalexina | 6-12 semanas | | Brucella canis | Enrofloxacino + doxiciclina | 4-8 semanas (mínimo) | | Aspergillus | Itraconazol ou fluconazol | Meses |

Perguntas frequentes

O que é a diskospondilite e como a infecção chega ao disco intervertebral?+

A diskospondilite (DSP; inglês: diskospondylitis, discospondylitis; também: espondilodiscite, discite vertebral) é a infecção do espaço discal intervertebral (disco + anel fibroso) com extensão para os corpos vertebrais adjacentes — superiores e inferiores ao disco afetado. É uma das causas mais importantes de dor vertebral grave e déficit neurológico em cães de médio e grande porte. Como o microrganismo chega ao disco: Via Hematogênica (mais comum): bacteremia transitória (infecção dentária, urológica, endocardite) → as bactérias se instalam no plexo venoso vertebral ou nas arteríolas do espaço discal; o disco intervertebral adulto é acessado pela circulação através dos pratos cartilaginosos dos corpos vertebrais; Inoculação direta: trauma penetrante, cirurgia vertebral prévia — mais raro; Extensão por contiguidade: infecção de tecido paraspinal que se estende para o disco — muito raro; Causas microbiológicas: Brucella canis: a causa mais importante nos machos não castrados — acúmulo nas próstatas e testículos + bacteremia crônica; ZOONOSE — risco para humanos; Staphylococcus pseudintermedius (S. intermedius): segunda causa mais comum; Streptococcus spp.: relevante; Escherichia coli: infecções urogenitais que alcançam a coluna; Aspergillus spp. (fumigatus, terreus): DSP fúngica — mais rara, mais difícil de tratar; Pastor Alemão: predisposição específica para DSP por Aspergillus; Nocardia, Actinomyces: raro; Localização mais frequente: lombo-sacra (L7-S1): mais comum; toracolombar (T12-L3): segundo mais comum; cervical: possível mas menos frequente.

Quais são os sinais clínicos e como suspeitar de diskospondilite?+

A DSP tem apresentação variável — pode ser indolente ou aguda grave, dependendo do microrganismo e do grau de destruição vertebral. Sinais clínicos — espectro: Início insidioso (mais comum): dor vertebral progressiva; relutância em subir escadas, pular; rigidez na coluna; postura encurvada (cifose); andar vagaroso e tenso; hiperestesia à palpação vertebral — o cão reage dolorosamente ao toque na região afetada; Sinais neurológicos: se o processo de destruição vertebral e a inflamação comprimem a medula ou as raízes nervosas: paresia progressiva (fraqueza) ou paralisia dos membros afetados; disfunção urinária ou fecal (lesão lombo-sacra); Sinais sistêmicos: febre (frequente na DSP bacteriana); letargia; inapetência; perda de peso progressiva; Brucella canis — sinais adicionais: orquite/epididimite (inflamação testicular) em machos não castrados — é o porta de entrada mais comum; abortos repetidos em fêmeas não castradas; linfadenomegalia; Exame clínico: hiperestesia vertebral focal (dor à palpação de uma região específica da coluna) é o sinal mais consistente; teste neurológico: propriocepção, reflexos espinhais — localização do nível medular afetado; Diferencial: hérnia de disco (IVDD), espondilose deformante, meningite, tumor vertebral.

Como é feito o diagnóstico da diskospondilite?+

O diagnóstico da DSP requer confirmação radiológica da destruição vertebral + identificação do agente causal. Radiografia vertebral: o exame inicial mais importante; achado clássico: lise (destruição) dos pratos vertebrais superior e inferior do corpo vertebral + colapso do espaço discal; 'aspecto em cunha' do disco destruído; esclerose reativa dos corpos adjacentes em casos mais crônicos; IMPORTANTE: as alterações radiológicas podem aparecer apenas 2-4 semanas após o início da infecção — radiografia normal precoce NÃO exclui DSP; Tomografia Computadorizada (TC): mais sensível que radiografia para detectar lesão precoce; detalha melhor a extensão da destruição óssea e compressão medular; Ressonância Magnética (RM): padrão-ouro para avaliar extensão da inflamação, compressão medular e acometimento de partes moles adjacentes; Cultura e diagnóstico microbiológico: Hemocultura: fundamental — bacteremia hematogênica → sangue positivo; colher 2-3 amostras; Cultura de urina: bacteriúria frequente (especialmente E. coli, Staphylococcus); Sorologia para Brucella canis: RSAT (Rapid Slide Agglutination Test) como triagem; MPAT (Mercaptoethanol + RSAT) mais específico; PCR para B. canis: mais sensível; Cultura de LCR: se meningite concomitante suspeita; aspirado guiado por fluoroscopia/TC (do espaço discal): definitivo mas invasivo — raramente necessário; Hemograma: leucocitose neutrofílica (bacteriana); neutropenia + monocitose (Brucella crônica); PCR/VHS: elevados.

Qual é o tratamento, o prognóstico e a importância zoonótica da Brucella canis?+

O tratamento da DSP é prolongado — e a identificação do agente é crítica para o prognóstico e para a saúde pública. Tratamento — antibioticoterapia: a duração mínima é 6-12 semanas — a coluna tem baixa perfusão → concentrações bactericidas lentas de atingir; DSP por Staphylococcus pseudintermedius: cefalexina + rifampicina OU amoxicilina-ácido clavulânico + rifampicina; enrofloxacino: excelente penetração óssea — frequentemente escolhido; DSP por E. coli: fluoroquinolona (enrofloxacino) ± amoxicilina-clavulanato; DSP fúngica (Aspergillus): fluconazol ou itraconazol por meses (fungistáticos); prognóstico da DSP fúngica: pior — maior refratariedade; DSP por Brucella canis: enrofloxacino + tetraciclinas (doxiciclina) por 4-8 semanas; sem cura 100% garantida — Brucella se aninha intracelularmente; considerar eutanásia em casos de bacteremia persistente + risco de zoonose; Cirurgia: descompressão medular se déficit neurológico agudo grave + compressão confirmada; curetagem do disco e debridamento: em casos selecionados; Brucella canis — ZOONOSE CRÍTICA: Brucella canis é transmissível ao ser humano por: contato com secreções genitais (aborto, escoamento vaginal); urina; sangue; mucosas; em humanos: febre ondulante + mialgia + fadiga crônica; raramente grave em imunocompetentes mas debilitante; humanos com imunossupressão: risco alto; cão com DSP + suspeita de Brucella: usar luvas e evitar contato com secreções; notificar vigilância sanitária; Prognóstico: DSP bacteriana sem déficit neurológico tratada precocemente: bom a excelente; déficit neurológico grave: moderado a ruim; DSP fúngica: moderado a ruim.

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