Saúde

Enteropatia Perdedora de Proteína em Cachorro (EPP)

A enteropatia perdedora de proteína (EPP) é uma síndrome de perda de proteína pelo trato gastrointestinal — hipoalbuminemia grave com ascite, edema e derrame pleural. Yorkshire Terrier, Soft Coated Wheaten Terrier e Rottweiler são predispostos. A linfangiectasia intestinal é a causa mais comum. Dieta hipoalergênica com baixo teor de gordura é o pilar do tratamento.

28 de maio de 2026·2 min de leitura

O Yorkshire Terrier de 4 anos chegou com abdome distendido e diarreia crônica há 2 meses. Ao examinar: abdome em "bola", dispneia leve.

Bioquímica: albumina 1,1 g/dL. Ultrassom: ascite volumosa, espessamento difuso da mucosa intestinal com aspecto estriado ("striations"). UPC urinário: 0,3 — proteína não está sendo perdida pelo rim.

Endoscopia + biópsia: linfangiectasia intestinal com vilosidades dilatadas e vasos linfáticos proeminentes. Iniciou dieta de baixíssima gordura + prednisolona. Albumina normalizou em 6 semanas.

Por Que a Gordura É o Problema

Na linfangiectasia, a fisiopatologia é elegante mas trágica:

  1. Gordura absorvida no intestino → entra nos capilares linfáticos (lácteos)
  2. Os vasos linfáticos intestinais estão dilatados e obstruídos → pressão aumentada
  3. A linfa (rica em albumina, linfócitos, gordura) extravasa para o lúmen intestinal
  4. Proteínas são perdidas pelas fezes → hipoalbuminemia
  5. Mais gordura na dieta = mais fluxo linfático = mais perda

A solução direta: retirar a gordura da dieta → reduz drasticamente o fluxo linfático → menos extravasamento → albumina sobe.

Hipoalbuminemia — Quando a Proteína Cai

| Albumina (g/dL) | Consequência clínica | |---|---| | < 3,0 | Edema de mucosas possível | | < 2,5 | Ascite começa a aparecer | | < 2,0 | Ascite, edema periférico, derrame | | < 1,5 | Ascite volumosa, comprometimento respiratório | | < 1,0 | Emergência — risco de vida |

O Efeito "Striations" — Sinal Ultrassonográfico

Na ultrassonografia de cães com linfangiectasia:

  • Mucosa intestinal mostra listras hiperecogênicas perpendiculares à parede
  • Representam os vasos linfáticos dilatados cheios de linfa
  • Visível especialmente no duodeno e jejuno
  • Sinal diagnóstico sugestivo — mas biópsia confirma

EPP vs Nefropatia Perdedora de Proteína

| Critério | EPP | Nefropatia | |---|---|---| | Onde perde proteína | Intestino | Rim | | UPC urinário | < 0,5 | > 0,5-1,0 | | Achado renal | Normal | Lesão glomerular | | Sinais digestivos | Frequentes | Ausentes | | Raças típicas | Yorkshire, Wheaten | Bernese, Soft Coated Wheaten |

Prognóstico

| Causa | Prognóstico | |---|---| | Linfangiectasia + dieta de baixa gordura | Bom — controle com dieta permanente | | EII responsiva a esteroides | Moderado a bom — recidivas | | EII responsiva à dieta | Bom — controle dietético | | Linfoma intestinal difuso grande célula | Reservado — semanas | | Linfoma T epiteliotrópico | Reservado — meses |

Perguntas frequentes

O que é enteropatia perdedora de proteína e quais raças são afetadas?+

A enteropatia perdedora de proteína (EPP) é uma síndrome caracterizada pela perda excessiva de proteínas plasmáticas (principalmente albumina) através da mucosa intestinal — resultando em hipoalbuminemia grave (albumina < 2,0 g/dL, muitas vezes < 1,5 g/dL). Causas de EPP (principais): Linfangiectasia intestinal idiopática: dilatação dos vasos linfáticos intestinais (lácteos) → extravasamento de linfa rica em proteínas para o lúmen intestinal; causa mais frequente de EPP; pode ser primária (idiopática) ou secundária a outras doenças; Enteropatia inflamatória (EII): inflamação crônica da mucosa (linfocítica-plasmocítica, eosinofílica) → permeabilidade aumentada; Enteropatia responsiva à dieta: uma das formas de EII que melhora com mudança dietética; Enteropatia responsiva a esteroides: EII que responde a imunossupressores; Linfoma intestinal: causa grave de EPP em cães mais velhos; Histoplasmose: causa fúngica importante em regiões endêmicas. Raças predispostas: Yorkshire Terrier: linfangiectasia idiopática — alta predisposição; Soft Coated Wheaten Terrier: EPP + nefropatia perdedora de proteína (síndrome específica da raça); Rottweiler: enteropatia inflamatória com perda proteica; Norwegian Lundehund: EPP específica da raça (má absorção generalizada); Basenji: enteropatia imunoproliferativa.

Como se manifesta a EPP e como diagnosticar?+

Sinais clínicos: a EPP apresenta-se como combinação de sinais digestivos e consequências da hipoalbuminemia. Sinais digestivos: diarreia crônica — muitas vezes branda, gordurosa (esteatorréia na linfangiectasia); diarreia pode ser intermitente; vômito: variável; perda de peso progressiva apesar de comer; apetite variável (normal a aumentado nas formas com má absorção). Consequências da hipoalbuminemia: Ascite: acúmulo de líquido no abdome — sinal frequente de EPP grave; Derrame pleural: dispneia; Edema subcutâneo: periférico (membros, prepúcio); menos comum em cães do que em humanos. Diagnóstico: Bioquímica sérica: hipoalbuminemia: < 2,0 g/dL — critério principal; proteínas totais: hipoproteínemia; colesterol: frequentemente baixo na linfangiectasia (perda de lípidos); hipocalcemia: cálcio total baixo por hipoalbuminemia (cálcio corrigido pode ser normal); Urinálise: descartar nefropatia perdedora de proteína (UPC < 0,5 na EPP = proteína pela via intestinal); Ecografia abdominal: ascite, espessamento de alças, linfonodos, efeito listrado (striations) da mucosa na linfangiectasia — sinal específico; Endoscopia + biópsia: biópsia intestinal é o padrão-ouro — identifica linfangiectasia, inflamação, linfoma; vilosidades dilatadas, vasos linfáticos proeminentes na histologia.

Como tratar a enteropatia perdedora de proteína?+

O tratamento depende da causa subjacente identificada. Linfangiectasia idiopática — tratamento: Dieta de baixíssima gordura: fundamental — a gordura estimula o fluxo linfático, agravando o extravasamento; menos de 10% gordura na matéria seca; ração veterinária específica: Royal Canin Gastrointestinal Low Fat, Hill's i/d Low Fat; proteína hidrolisada ou fonte nova podem ser preferidas se houver componente inflamatório concomitante; Corticoterapia: prednisolona 1-2 mg/kg/dia — mesmo na linfangiectasia pura (pode haver componente inflamatório); suporte: albumina humana IV: apenas em casos graves com ascite sintomática; furosemida: ascite grave; suplementação: vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K) — absorvidas com gordura, deficientes na linfangiectasia; vitamina B12 (cobalamina): frequentemente deficiente; Enteropatia inflamatória (EII): Prednisolona 1-2 mg/kg/dia por 4-8 semanas com redução gradual; azatioprina ou ciclosporina: casos graves ou refratários; dieta hipoalergênica ou hidrolisada concomitante; Enteropatia responsiva à dieta: dieta exclusiva (sem outros alimentos) por 6-8 semanas; sem imunossupressor inicial — se responder à dieta, confirma o diagnóstico.

Qual é o prognóstico da EPP e como monitorar?+

Prognóstico: depende da causa — enormemente variável. Linfangiectasia idiopática com dieta de baixa gordura: bom a excelente — muitos cães controlados apenas com dieta; albumina normaliza ou melhora; necessidade de dieta permanente; sem cura, mas com controle. EPP responsiva à dieta: bom — controle dietético. Enteropatia inflamatória responsiva a esteroides: moderado a bom — recidivas possíveis. Linfoma intestinal: reservado — sobrevida de meses a 1-2 anos dependendo do tipo; difuso de células grandes: semanas; linfoma T epiteliotrópico: meses. Monitoramento: albumina sérica: a cada 4-8 semanas no início; objetivo: albumina maior que 2,0 g/dL, idealmente maior que 2,5 g/dL; cobalamina (B12): dosar e suplementar se baixa (menor que 300 pg/mL); peso corporal: ganho é bom sinal; circunferência abdominal: para monitorar ascite; folato sérico: se baixo indica lesão proximal. Síndrome do Wheaten: o Soft Coated Wheaten Terrier pode desenvolver EPP + nefropatia perdedora de proteína simultaneamente; causa: imunomediada; tratamento: imunossupressão + manejo das duas deficiências proteicas; prognóstico: reservado quando ambas estão presentes.

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A Tricuríase é causada por Trichuris vulpis — o 'whipworm' (verme-chicote) do cão, nematódeo que vive no cólon e ceco. É uma das helmintoses mais resistentes ao ambiente: os ovos de T. vulpis sobrevivem 5+ anos no solo. Causa diarreia mucossanguinolenta crônica e anemia em infecções graves. Diagnóstico: coproparasitologia (ovos com tampões polares — morfologia característica). Tratamento: fenbendazol 50 mg/kg por 3-5 dias (praziquantel NÃO tem efeito). Não é zoonose significativa para humanos — existe T. trichiura humana mas são espécies diferentes.

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