Saúde

Estrongiloidose Canina: Strongyloides stercoralis em Cães

A Estrongiloidose é causada por Strongyloides stercoralis — nematódeo com ciclo de vida único: as fêmeas partenogenéticas vivem na mucosa intestinal e produzem larvas L1 que podem ser eliminadas nas fezes OU autoinfectar o próprio hospedeiro. Importante zoonose: S. stercoralis infecta humanos e pode causar hiperinfecção fatal em imunossuprimidos. Cães jovens e imunossuprimidos são os mais afetados. Diagnóstico: exame de fezes por método de Baermann (larvas, não ovos). Tratamento: ivermectina ou fenbendazol.

01 de junho de 2026·1 min de leitura

O veterinário pediu o método de Baermann porque o exame convencional voltou negativo — e no método correto as larvas migraram para o fundo do tubo, confirmando o Strongyloides que causava a diarreia da ninhada.

Strongyloides stercoralis. O único helminto intestinal do cão que se reproduz sem machos, que as larvas podem completar um ciclo inteiro dentro do intestino sem sair, e que em imunossuprimido pode migrar para cada órgão do corpo carregando as bactérias do intestino junto.

A hiperinfecção que o oncologista humano precisou lembrar ao internista que o Strongyloides do transplantado de rim pode ter vindo do cachorro que o paciente criava.

A ivermectina que é o tratamento padrão — e a verificação do gene MDR1 que o veterinário não pode pular nos Collies, Aussies e seus cruzamentos.

O solo úmido do quintal onde as larvas L3 esperaram o dono descalço — e a calçada lavada com água fervente que reduziu o risco depois do tratamento do cão.

Strongyloides stercoralis — O Ciclo da Autoinfecção

| Via | O que acontece | Quem está em risco | |---|---|---| | Ciclo externo | Larvas nas fezes → solo → larvas infectantes → penetram pele | Cão, humanos (zoonose) | | Autoinfecção | Larvas L3 formadas dentro do intestino → penetram a parede | Cão imunossuprimido | | Hiperinfecção | Autoinfecção descontrolada → larvas em todos os órgãos | Imunossuprimidos: FATAL |

Tratamento — Comparação de Opções

| Droga | Dose | MDR1 seguro? | Eficácia | |---|---|---|---| | Ivermectina | 200 mcg/kg | Verificar (CONTRAINDICADO em mutantes) | Alta | | Fenbendazol | 50 mg/kg 5 dias | Seguro | Moderada |

Perguntas frequentes

O que é o Strongyloides stercoralis e por que seu ciclo biológico é único?+

O Strongyloides stercoralis (inglês: threadworm, strongyloides; família Strongyloididae; não confundir com: Strongylus spp. — parasitas de equinos, completamente diferentes; Angiostrongylus vasorum — verme do coração/pulmão canino, diferente; Crenosoma vulpis — parasita de vias aéreas de canídeos, diferente; Ancylostoma caninum — ancilostomídeo, diferente família; outros Strongyloides spp.: S. canis (em cão), S. procyonis — espécies diferentes com discussão de sinonímia; S. stercoralis infecta humanos e cães) é um parasita com o ciclo de vida mais complexo entre os helmintos intestinais. PARTICULARIDADES ÚNICAS do ciclo: 1) PARTENOGÊNESE: apenas fêmeas parasitárias existem no hospedeiro; reprodução sem machos; 2) CICLO DIRETO: larvas eliminadas nas fezes se transformam em adultos de vida livre no solo que produzem larvas infectantes (L3) → infectam o hospedeiro via pele ou via oral; 3) AUTOINFECÇÃO INTERNA: larvas L1 nas fezes podem se transformar em L3 DENTRO do intestino antes de ser eliminadas → penetram a parede intestinal → ciclo interno; essa característica é a mais perigosa: em imunossuprimidos, a autoinfecção se amplifica indefinidamente → HIPERINFECÇÃO; 4) MIGRAÇÃO: larvas L3 penetram a pele ou mucosa oral → circulação → pulmões → tráquea → deglutição → intestino delgado onde se desenvolvem em fêmeas adultas; Localização no hospedeiro: fêmeas adultas: dentro da mucosa do intestino delgado (não apenas no lúmen — invasão da mucosa); produzem larvas L1 que são eliminadas nas fezes; RESISTÊNCIA AMBIENTAL: L3 são resistentes — sobrevivem dias a semanas em solo úmido; temperatura e umidade favoráveis = maior risco.

Quais são os sinais clínicos e como diagnosticar a estrongiloidose?+

A expressão clínica varia muito com a carga parasitária e o estado imune do hospedeiro. INFECÇÃO LEVE EM ADULTO IMUNOCOMPETENTE: GERALMENTE ASSINTOMÁTICA — o sistema imune controla a carga; INFECÇÃO MODERADA: diarreia mucosa ou mucoide; desconforto abdominal; perda de peso em infecções crônicas; EM FILHOTES JOVENS (< 4-8 semanas): os mais vulneráveis — imunidade ainda imatura; diarreia profusa frequentemente hemorrágica; comprometimento rápido; mortalidade possível em ninhadas em criadouros com condições sanitárias precárias; HIPERINFECÇÃO EM IMUNOSSUPRIMIDOS: O CENÁRIO MAIS GRAVE; ocorre quando a autoinfecção não é controlada pelo sistema imune; as larvas em grandes quantidades migram para todos os órgãos: pulmões (pneumonia com larvas), fígado, sistema nervoso central, outros órgãos; carregam bactérias intestinais na migração → sepse bacteriana; FATAL se não tratado em imunossuprimidos; Diagnóstico: EXAME DE FEZES — MÉTODO DE BAERMANN: técnica específica para larvas; o exame convencional de flutuação é inadequado — S. stercoralis produz LARVAS (não ovos) nas fezes; o método de Baermann usa migração ativa das larvas em água → sedimentação e coleta → identificação microscópica; CULTURA DE FEZES EM ÁGAR: permite identificar larvas que se locomovem no ágar; ELISA SÉRICO: anticorpos anti-Strongyloides; sensibilidade variável em cão; PCR: disponível em referência — mais específico; BIÓPSIA INTESTINAL: fêmeas adultas na mucosa do intestino delgado — padrão ouro diagnóstico.

Como é feito o tratamento e qual o risco de autoinfecção?+

O tratamento da estrongiloidose exige atenção especial à autoinfecção e ao potencial de hiperinfecção em cães imunossuprimidos. IVERMECTINA: DROGA DE ESCOLHA; dose: 200 mcg/kg SC ou oral; inativa larvas e adultos; CONTRAINDICAÇÃO: cão MDR1 mutante (ABCB1) — raças como Collie, Australian Shepherd, Border Collie e seus cruzamentos podem ter reação tóxica à ivermectina; SEMPRE VERIFICAR O STATUS MDR1 antes de administrar ivermectina em raças predispostas; FENBENDAZOL: alternativa segura para MDR1; dose: 50 mg/kg/dia por 5 dias; menos eficaz que a ivermectina mas seguro em todas as raças; THIABENDAZOL: usado em humanos; disponibilidade limitada em veterinária no Brasil; Protocolos: CASO SIMPLES (cão imunocompetente): ivermectina dose única; repetir em 2 semanas (cobrir autoinfecção); FILHOTE DOENTE: estabilização com suporte (fluidos, alimentação por sonda se necessário); fenbendazol por segurança em filhotes jovens (evitar ivermectina se a raça for incerta); CÃO IMUNOSSUPRIMIDO (corticoides, quimioterapia, doenças imunossupressoras): TRATAMENTO URGENTE; hiperinfecção pode progredir rapidamente; ivermectina (verificar MDR1) + considerar cobertura antibiótica para sepse bacteriana por migração larval; CONTROLE DE REINFECÇÃO: limpar e higienizar o ambiente onde o cão defeca; larvas L3 são mais resistentes no solo que ovos de outros helmintos; calor seco e luz solar inativam as larvas.

A estrongiloidose é uma zoonose importante e como proteger a família?+

O Strongyloides stercoralis é uma das poucas zoonoses caninas com potencial de causar doença grave em humanos imunossuprimidos. ZOONOSE POR S. STERCORALIS: o S. stercoralis infecta tanto cão quanto humano — sem preferência de hospedeiro na maioria dos isolados; a transmissão humana ocorre por contato com solo contaminado com larvas L3 (penetração percutânea); crianças e adultos que andam descalços em solo contaminado por fezes de cão infectado correm risco; ESTRONGILOIDOSE HUMANA: na maioria dos imunocompetentes: infecção leve ou assintomática; larva currens: reação urticariforme cutânea no trajeto de migração das larvas; HIPERINFECÇÃO HUMANA EM IMUNOSSUPRIMIDOS: transplantados de órgão, HIV/AIDS, corticoterapia prolongada, HTLV-1 → a hiperinfecção pode ser fatal; mortalidade > 80% se não diagnosticada rapidamente; dada a sequência: cão portador → larvas nas fezes → contamina solo → transmissão a humanos, o controle do cão portador protege diretamente os humanos da família; POPULAÇÕES DE RISCO PARA ZOONOSE: famílias com membros imunossuprimidos (cancer, transplante, HIV, uso crônico de corticoides); crianças que brincam no solo; idosos; Prevenção: VERMIFUGAÇÃO DO CÃO: controla a carga de larvas no ambiente; HIGIENE AMBIENTAL: não andar descalço em áreas onde o cão defeca; COLETA IMEDIATA DE FEZES: as larvas precisam de horas a dias para ficar infectantes no ambiente; coleta imediata reduz exposição; LAVAR MÃOS: após contato com solo de quintal; para membros imunossuprimidos: usar luvas ao manejar plantas e solo.

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Saúde

Tricuríase Canina: Trichuris vulpis, o Whipworm do Cão

A Tricuríase é causada por Trichuris vulpis — o 'whipworm' (verme-chicote) do cão, nematódeo que vive no cólon e ceco. É uma das helmintoses mais resistentes ao ambiente: os ovos de T. vulpis sobrevivem 5+ anos no solo. Causa diarreia mucossanguinolenta crônica e anemia em infecções graves. Diagnóstico: coproparasitologia (ovos com tampões polares — morfologia característica). Tratamento: fenbendazol 50 mg/kg por 3-5 dias (praziquantel NÃO tem efeito). Não é zoonose significativa para humanos — existe T. trichiura humana mas são espécies diferentes.

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Toxocarose Canina: Toxocara canis, Zoonose e Larva Migrans

A Toxocarose é causada por Toxocara canis — o áscaris do cão, nematódeo da família Toxocaridae. É uma das helmintoses mais prevalentes no mundo. Cães filhotes são os principais hospedeiros e disseminadores. Zoonose importante: a larva de T. canis em humanos causa Larva Migrans Visceral (fígado, pulmão, olho) e Larva Migrans Ocular — com risco de cegueira. Transmissão: ingestão de ovos embrionados no solo. Tratamento no cão: pirantel ou fenbendazol. Prevenção: vermifugação regular + higiene.

Saúde

Sebadenite Sebácea Canina: Destruição Imunomediada das Glândulas Sebáceas, Poodle Standard e Ciclosporina

A Sebadenite Sebácea (SS) é uma dermatopatia inflamatória imunomediada que destrói seletivamente as glândulas sebáceas. RAÇAS MAIS AFETADAS: Poodle Standard (prevalência estimada 1-5% da raça), Akita, Samoieda, Vizsla. DIAGNÓSTICO: biópsia cutânea com ausência ou destruição granulomatosa das glândulas sebáceas. SINAIS PATOGNOMÔNICOS: cilindros perifoliculares (casts) aderentes ao pelo; escamas foliculares; alopecia progressiva. TRATAMENTO: ciclosporina (5 mg/kg 1x/dia) + tratamento tópico intensivo (spray de óleo de girassol ou azeite). Sem cura — controle crônico.