Saúde

Glioma em Cães: Astrocitoma e Oligodendroglioma nos Braquicéfalos

O glioma é o segundo tumor cerebral primário mais comum em cães (após o meningioma). Inclui astrocitoma e oligodendroglioma. Raças braquicefálicas (Boxer, Buldogue Inglês, Boston Terrier, Buldogue Francês) têm predisposição muito aumentada para oligodendroglioma. Comportamento INTRAXIAL e invasivo — prognóstico pior que o meningioma. RM com contraste (gadolínio) = padrão-ouro. Sobrevida: 3-9 meses com tratamento (cirurgia e/ou radioterapia). Diferencial fundamental com meningioma (extra-axial, melhor prognóstico).

01 de junho de 2026·2 min de leitura

O neurologista veterinário havia comparado os dois estudos de RM lado a lado — o meningioma da semana anterior com seu halo de captação intensa e a cauda meníngea que havia confirmado a origem extra-axial, e o glioma do Boxer de sete anos que havia chegado naquela tarde com a lesão intraxial que havia substituído o parênquima frontal esquerdo com edema vasogênico que havia se estendido por dois centímetros além da borda da massa, a captação heterogênea em anel que havia indicado necrose central e a ausência de qualquer dural tail que havia fechado o diferencial entre os dois tumores que haviam produzido exatamente a mesma convulsão generalizada com a mesma aparência clínica mas com prognósticos completamente diferentes.

Glioma. O tumor que havia crescido de dentro para fora — o oligodendroglioma que havia infiltrado o córtex frontal do Boxer como a pesquisa havia documentado como a predisposição da raça para aquele tipo específico de célula glial, e que o patologista havia confirmado na biópsia estereotáxica como o oligodendroglioma de grau II que havia dado o tutor a janela de seis a quatorze meses com radioterapia e lomustina que o meningioma teria entregado talvez o dobro do tempo com ressecção completa.

A dexametasona que havia melhorado o Boxer em quarenta e oito horas — o corticoide que havia reduzido o edema peritumoral que havia sido responsável pela maioria dos déficits neurológicos que o tumor havia produzido, e que o veterinário havia explicado que a melhora havia sido o inimigo do diagnóstico quando o tutor havia interpretado como recuperação e havia considerado cancelar a RM que havia sido marcada para confirmar a massa que a resposta ao corticoide havia mascarado temporariamente enquanto havia continuado a crescer.

O protocolo de lomustina que havia iniciado uma semana após a radioterapia — o CCNU que havia cruzado a barreira hematoencefálica que havia sido o requisito para qualquer quimioterápico alcançar o cérebro, que o hemograma havia monitorado a cada três semanas pela mielossupressão que havia sido o efeito adverso principal, e que o oncologista havia balanceado como o risco necessário para o benefício que havia extendido para oito meses de qualidade de vida aceitável antes que a progressão tumoral havia reduzido a responsividade e o tutor havia optado pelos cuidados paliativos que havia priorizado conforto sobre tempo.

Glioma vs Meningioma — Diferencial de Tumor Cerebral Primário Canino

| Característica | Glioma | Meningioma | |---|---|---| | Origem celular | Células gliais (astrocitos, oligodendrocitos) | Células da aracnoide | | Localização | Intraxial (dentro do parênquima) | Extra-axial (fora do parênquima) | | RM: borda | Irregular, mal definida | Bem delimitada | | RM: dural tail | Ausente | Presente (patognomônico) | | Prognóstico com tto | 6-14 meses | 7-27 meses | | Raças mais afetadas | Boxer, Buldogue, Boston Terrier | Boxer, Buldogue, Boston Terrier |

Perguntas frequentes

O que é o glioma canino e quais raças são mais afetadas?+

O glioma é um tumor cerebral primário de origem nas células gliais — as células de suporte do sistema nervoso central. TIPOS DE GLIOMA: ASTROCITOMA: tumor de astrócitos; pode ser grau I (mais benigno) a grau IV (glioblastoma — mais agressivo); OLIGODENDROGLIOMA: tumor de oligodendrócitos (células que produzem mielina); mais frequente em cães que em humanos; EPENDIMOMA: tumor de células ependimárias que revestem os ventrículos; menos comum; MIXED GLIOMA: componentes de astrocitoma e oligodendroglioma; CARACTERÍSTICAS COMUNS DOS GLIOMAS: INTRAXIAIS: crescem DENTRO do parênquima cerebral — diferente do meningioma extra-axial; INFILTRATIVOS: não têm borda nítida; infiltram o cérebro normal circundante; isso dificulta a ressecção cirúrgica completa; EPIDEMIOLOGIA: PREDISPOSIÇÃO RACIAL — MUITO MARCANTE: BOXER: oligodendroglioma com altíssima prevalência; o Boxer é o mais estudado para gliomas caninos; Buldogue Inglês: alta predisposição; Boston Terrier: alta predisposição; Buldogue Francês: crescente predisposição documentada; outras raças braquicéfalas: risco moderado; HIPÓTESE DA PREDISPOSIÇÃO: mutações no gene IDH1/IDH2 (similar ao glioma humano) investigadas no Boxer; possível relação com a morfologia craniana braquicefálica; IDADE: pico entre 7-12 anos; mais jovens que o meningioma típico (9-11 anos); LOCALIZAÇÃO PREFERENCIAL: glioma Boxer: frequentemente nos hemisférios cerebrais e área olfatória; oligodendroglioma: substância branca dos hemisférios; astrocitoma: pode afetar cerebelo e tronco cerebral.

Como o glioma se manifesta clinicamente e qual é o diagnóstico?+

Os sinais do glioma são semelhantes aos do meningioma — mas a progressão é geralmente mais rápida. SINAIS CLÍNICOS: CONVULSÕES: o sinal mais frequente de glioma cortical; ponto importante: a convulsão de início RECENTE em Boxer adulto (4-8 anos) é altamente suspeita de glioma; início mais jovem que meningioma típico; ALTERAÇÕES COMPORTAMENTAIS: desorientação, apatia, irritabilidade; lesões frontais afetam personalidade precocemente; DÉFICITS NEUROLÓGICOS FOCAIS: hemiparesia; amaurose (cegueira) cortical; déficits de nervos cranianos em tumores de tronco; PROGRESSÃO MAIS RÁPIDA QUE MENINGIOMA: os gliomas tendem a progredir em semanas a poucos meses; o meningioma progride mais lentamente; o tutor frequentemente relata piora rápida após primeiros sintomas; CRISE EPILÉPTICA EM CLUSTER (crises repetidas em 24h): mais comum com glioma de alto grau por edema peritumoral intenso; DIAGNÓSTICO: RM COM CONTRASTE (GADOLÍNIO) — PADRÃO-OURO: GLIOMA NA RM: lesão INTRAXIAL (dentro do parênquima); borda IRREGULAR, mal definida; captação de contraste VARIÁVEL (heterogêneo — 'anel' de realce em grau IV); edema vasogênico perilesional: extenso (sinal de edema ao redor da massa); sem dural tail sign (que é do meningioma); DIFERENCIAL COM MENINGIOMA NA RM: meningioma: extra-axial, bem delimitado, captação intensa e homogênea, dural tail; glioma: intraxial, mal delimitado, captação heterogênea, edema extenso; TC: mostra lesão hipodensa e edema mas inferior à RM; LCR: pode mostrar pleocitose mas NÃO confirma diagnóstico; BIÓPSIA ESTEREOTÁXICA: confirma histologia; necessária para distinguir graus; disponível em centros especializados; BIOMARCADORES: mutação IDH1 R132H: descrita em gliomas caninos; pesquisada em imuno-histoquímica da biópsia.

Quais são os tratamentos para glioma canino e qual o prognóstico?+

O glioma tem prognóstico significativamente pior que o meningioma — pela localização intraxial e comportamento infiltrativo. CIRURGIA: DIFICULDADE: gliomas são infiltrativos e sem margem clara; ressecção completa é rara ou impossível; CIRURGIA CITORREDUCTIVA: remoção do máximo possível sem dano neurológico; melhora sintomas por redução do volume tumoral; RESULTADO: sobrevida com cirurgia isolada: 2-6 meses; cirurgia + radioterapia: 6-14 meses; RADIOTERAPIA (RT): TELETERAPIA CONVENCIONAL (RT FRACIONADA): 20-48 Gy em frações de 2-4 Gy; 4-5 semanas de tratamento diário; mais acessível que SRS; benefício documentado em astrocitoma e oligodendroglioma; RADIOTERAPIA ESTEREOTÁXICA (SRS): maior precisão, menos sessões; menos disponível no Brasil; QUIMIOTERAPIA: CCNU (lomustina): atividade em gliomas caninos; atravessa barreira hematoencefálica; toxicidade: mielossupressão (hemograma regular obrigatório); TEMOZOLOMIDA: usada em glioblastoma humano — dados caninos limitados mas em investigação; CORTICOIDE: dexametasona: reduz edema peritumoral; melhora sintomas a curto prazo; não é tratamento definitivo — o tumor continua crescendo; PROGNÓSTICO: SEM TRATAMENTO: semanas a 2-3 meses; COM CIRURGIA: 2-6 meses; COM RT: 6-14 meses; COM CIRURGIA + RT: 10-18 meses nos melhores casos; GLIOMA DE ALTO GRAU (GLIOBLASTOMA): pior prognóstico — sobrevida 2-5 meses mesmo com tratamento; CUIDADOS PALIATIVOS: qualidade de vida com anticonvulsivante + corticoide por semanas a meses em cão sem condições para tratamento intensivo.

Como diferenciar glioma de outras causas de convulsão e doença cerebral em cães?+

O glioma deve ser distinguido de meningioma, inflamação cerebral e causas metabólicas — a RM com contraste é o pivô diagnóstico. DIFERENCIAL DE MASSA CEREBRAL: MENINGIOMA: extra-axial, bem delimitado, captação intensa + dural tail; melhor prognóstico; braquicéfalo predisposto mas diferente do glioma; METÁSTASE CEREBRAL: múltiplas lesões; tumor primário conhecido (hemangiosarcoma, melanoma, adenocarcinoma); ABSCESSO CEREBRAL: captação em anel + centro não captante; febre; neutrofilia; histórico de infecção; ENCEFALITE GRANULOMATOSA (GME): sem massa focal típica; LCR com pleocitose alta; resposta a corticoide; NECROSE CEREBRAL LIGADA À VACINA (Pug, Maltese): lesão necrótica específica das raças; DIFERENCIAL DE CONVULSÃO TARDIA: EPILEPSIA ESTRUTURAL por tumor: início > 5 anos em Boxer = ALTAMENTE SUSPEITO; EPILEPSIA IDIOPÁTICA: início 1-5 anos; diagnóstico de exclusão; ENCEFALITE VIRAL (cinomose, raiva): histórico vacinal; exame neurológico; LCR; ENCEFALOPATIA HEPÁTICA: amônia elevada; função hepática alterada; HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA: encefalopatia hipertensiva; DOENÇA DE ADDISON: hipoglicemia, eletrólitos; PROTOCOLO DIAGNÓSTICO EM BOXER COM CONVULSÃO > 4 ANOS: Passo 1: hemograma + bioquímica + pressão arterial; Passo 2: RM com gadolínio; Passo 3: LCR se RM sem massa (descartar inflamatório); Passo 4: se massa intraxial → discussão cirurgia + RT; RAÇA COMO FATOR: em Boxer com mais de 4 anos com primeira convulsão = glioma ou meningioma até prova em contrário.

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Saúde

Tricuríase Canina: Trichuris vulpis, o Whipworm do Cão

A Tricuríase é causada por Trichuris vulpis — o 'whipworm' (verme-chicote) do cão, nematódeo que vive no cólon e ceco. É uma das helmintoses mais resistentes ao ambiente: os ovos de T. vulpis sobrevivem 5+ anos no solo. Causa diarreia mucossanguinolenta crônica e anemia em infecções graves. Diagnóstico: coproparasitologia (ovos com tampões polares — morfologia característica). Tratamento: fenbendazol 50 mg/kg por 3-5 dias (praziquantel NÃO tem efeito). Não é zoonose significativa para humanos — existe T. trichiura humana mas são espécies diferentes.

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Toxocarose Canina: Toxocara canis, Zoonose e Larva Migrans

A Toxocarose é causada por Toxocara canis — o áscaris do cão, nematódeo da família Toxocaridae. É uma das helmintoses mais prevalentes no mundo. Cães filhotes são os principais hospedeiros e disseminadores. Zoonose importante: a larva de T. canis em humanos causa Larva Migrans Visceral (fígado, pulmão, olho) e Larva Migrans Ocular — com risco de cegueira. Transmissão: ingestão de ovos embrionados no solo. Tratamento no cão: pirantel ou fenbendazol. Prevenção: vermifugação regular + higiene.

Saúde

Sebadenite Sebácea Canina: Destruição Imunomediada das Glândulas Sebáceas, Poodle Standard e Ciclosporina

A Sebadenite Sebácea (SS) é uma dermatopatia inflamatória imunomediada que destrói seletivamente as glândulas sebáceas. RAÇAS MAIS AFETADAS: Poodle Standard (prevalência estimada 1-5% da raça), Akita, Samoieda, Vizsla. DIAGNÓSTICO: biópsia cutânea com ausência ou destruição granulomatosa das glândulas sebáceas. SINAIS PATOGNOMÔNICOS: cilindros perifoliculares (casts) aderentes ao pelo; escamas foliculares; alopecia progressiva. TRATAMENTO: ciclosporina (5 mg/kg 1x/dia) + tratamento tópico intensivo (spray de óleo de girassol ou azeite). Sem cura — controle crônico.