Saúde

Hepatite Crônica em Cachorro: Inflamação Progressiva do Fígado

A hepatite crônica (HC) canina é uma inflamação persistente do fígado com progressão para fibrose e cirrose. Dobermann, Labrador e Cocker Spaniel são raças predispostas. Causas: acúmulo de cobre (hepatopatia cuprífera), autoimune, drogas ou idiopática. Diagnóstico por biópsia hepática. Tratamento: corticoterapia, penicilamina (cobre) e suporte hepático.

28 de maio de 2026·2 min de leitura

O Dobermann de 6 anos chegou com perda de peso progressiva há 4 meses. Apetite diminuído, letargia. Bioquímica: ALT 450 UI/L (normal < 60), FA 320 UI/L. Albumina 1,8 g/dL.

Ultrassom: fígado levemente reduzido, ecotextura irregular. Biópsia hepática guiada por ultrassom: hepatite crônica com fibrose periportal moderada; depósito acentuado de cobre nas colorações especiais.

Hepatite cuprífera por COMMD1. D-penicilamina + dieta de baixo cobre + SAMe. Controle em 6 meses: ALT 120 UI/L. Albuminemia 2,6 g/dL.

O Cobre Como Vilão — A Hepatopatia Cuprífera

O cobre é oligoelemento essencial em quantidades mínimas. Em excesso é hepatotóxico:

  1. Cobre intracelular em excesso → radicais livres (estresse oxidativo)
  2. Radicais livres → necrose de hepatócitos
  3. Necrose → inflamação crônica → recrutamento de células inflamatórias
  4. Inflamação crônica → ativação de células estreladas hepáticas → fibrose
  5. Fibrose progressiva → cirrose

O cobre não é excretado pelo rim — sai pela bile. Qualquer defeito no transporte biliar acumula no fígado.

Raças Cupríferas — Defeitos Específicos

| Raça | Gene/Mecanismo | Gravidade | |---|---|---| | Bedlington Terrier | ATP7B (similar à Doença de Wilson) | Grave desde jovem | | Dobermann | COMMD1 | Moderada a grave em adultos | | Labrador Retriever | Múltiplos loci | Variável | | Dálmata | Mal definido | Variável |

Biópsia Hepática — Por Que É Essencial

| O que a biópsia informa | Por que importa | |---|---| | Tipo histológico (cuprífera, linfocítica, etc.) | Define o tratamento específico | | Grau de fibrose (F0-F4) | Prognóstico e urgência do tratamento | | Depósito de cobre (coloração especial) | Indica quelante específico | | Inflamação ativa presente | Indica imunossupressor |

A biópsia é insubstituível — exames de sangue e ultrassom não diagnosticam o tipo de hepatite.

Estadiamento da Fibrose

| Estágio | Histologia | Prognóstico | |---|---|---| | F0 | Sem fibrose | Excelente | | F1 | Fibrose periportal leve | Muito bom | | F2 | Fibrose com septos incompletos | Bom | | F3 | Muitos septos, pré-cirrótico | Moderado | | F4 | Cirrose estabelecida | Reservado |

Prognóstico

| Situação | Prognóstico | |---|---| | Hepatopatia cuprífera, F1-F2 | Excelente com quelação | | Hepatite imunomediada responsiva | Bom — controle possível | | F3 — pré-cirrótico | Moderado | | F4 — cirrose | Reservado — suporte |

Perguntas frequentes

O que é hepatite crônica e quais raças são afetadas?+

A hepatite crônica canina é uma doença hepática com inflamação persistente (mais de 3-6 meses), necrose de hepatócitos, fibrose progressiva e potencial progressão para cirrose. Classificação etiológica: Hepatopatia cuprífera — acúmulo de cobre no fígado (causa mais comum em raças específicas): o cobre em excesso gera radicais livres, necrose, inflamação e fibrose; Hepatite imunomediada (linfocítica): infiltrado linfoplasmocelular sem causa identificável; Hepatite medicamentosa: carprofen, fenobarbital, cetoconazol e outros; Idiopática: maioria dos casos sem causa identificada. Raças predispostas: Dobermann Pinscher — hepatite cuprífera por mutação em COMMD1; Bedlington Terrier — acúmulo de cobre (ATP7B, similar à doença de Wilson humana); Labrador Retriever — hepatopatia cuprífera; Cocker Spaniel Americano — hepatite linfocítica; Dálmata, Skye Terrier.

Como se manifesta a hepatite crônica e como diagnosticar?+

Fase precoce: assintomática — descoberta por aumento casual de ALT e FA em exames de rotina; ou sinais inespecíficos de letargia e intolerância ao exercício. Fase avançada (descompensada): perda de peso, anorexia, vômito, diarreia; ascite por hipertensão portal; encefalopatia hepática — confusão, desorientação, hipersalivação; icterícia; coagulopatia. Diagnóstico: ALT e FA elevadas (marcadores de inflamação); albumina baixa e tempo de protrombina prolongado em doença grave; ultrassom: fígado reduzido e hiperecogênico na cirrose, ascite; Biópsia hepática — padrão-ouro: classifica o tipo histológico, estadifica a fibrose (F0-F4), identifica depósito de cobre com colorações especiais (rodanina, ácido rubeânico); coleta por agulha Tru-Cut guiada por ultrassom ou laparoscopia.

Como tratar a hepatite crônica canina?+

Tratamento depende da causa identificada. Hepatopatia cuprífera: D-penicilamina 15 mg/kg 2x/dia VO (quelante de cobre) — efeitos colaterais: vômito, dar com alimento; trientina como alternativa; dieta restrita em cobre (evitar fígado, frutos do mar, cogumelos); zinco oral bloqueia absorção intestinal de cobre. Hepatite imunomediada: prednisolona 1-2 mg/kg/dia com redução gradual; azatioprina como imunossupressor adicional. Suporte para todas as causas: ursodiol (UDCA) 10-15 mg/kg/dia — efeito anti-inflamatório e citoprotegente; SAMe 20 mg/kg/dia — antioxidante hepático; vitamina E; silimarina; dieta hepática; espironolactona + furosemida para ascite.

Qual é o prognóstico da hepatite crônica e como monitorar?+

Prognóstico: hepatopatia cuprífera precoce (fibrose leve F1-F2): excelente — quelação pode reverter inflamação. Hepatite imunomediada responsiva: bom — controle possível com recidivas. Cirrose estabelecida (F4): reservado — fibrose irreversível, suporte. Monitoramento: ALT, FA, albumina, bilirrubinas a cada 1-3 meses; ultrassom a cada 3-6 meses; biópsia de controle em 6-12 meses para avaliar depósito de cobre. Dobermann — triagem precoce: ALT anual a partir dos 2-3 anos; biópsia ao primeiro aumento de ALT — diagnóstico precoce salva o fígado. O cobre não é excretado pelo rim, apenas pela bile — qualquer defeito no transporte biliar acumula no fígado. A biópsia hepática é insubstituível para diagnóstico do tipo e causa.

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