Saúde

Hérnia Diafragmática Canina: Ruptura do Diafragma e Emergência Respiratória

A hérnia diafragmática traumática ocorre quando o impacto (atropelamento, queda) rompe o diafragma, permitindo que vísceras abdominais entrem no tórax e comprometam a respiração. Dispneia, sons intestinais no tórax e ausência de sons pulmonares são os sinais. Radiografia confirma. Cirurgia é o tratamento definitivo — depois da estabilização respiratória. A forma congênita (peritoneopericárdica) é diferente e mais rara.

28 de maio de 2026·2 min de leitura

O Border Collie de 2 anos chegou após atropelamento — dispneia moderada, FR 48/min, SpO₂ 88% em ar ambiente. A ausculta revelou som de peristaltismo intestinal na metade caudal do hemitórax esquerdo. Radiografia: alças intestinais no hemitórax esquerdo, coração desviado para a direita.

Oxigenoterapia em colar de fluxo → SpO₂ 95%. Posicionamento esternal, analgesia com metadona.

Cirurgia 4 horas após a estabilização: celiotomia, redução de intestino delgado e lobo hepático esquerdo do tórax, fechamento do diafragma.

Extubado 2 horas após — SpO₂ 97% em ar ambiente.

Por que a Posição Importa Tanto

Esternal vs Decúbito Lateral — Diferença Crítica

Em cão com hérnia diafragmática, a posição determina o grau de compressão pulmonar:

  • Decúbito lateral sobre o lado afetado: vísceras "assentam" mais profundamente no tórax → maior compressão pulmonar
  • Decúbito dorsal: pressão das vísceras bilateralmente
  • Esternal (prona): gravidade traciona as vísceras para baixo, reduzindo a herniação e a compressão → melhor posição

Por isso: manter o cão em posição esternal desde a chegada até a intubação anestésica.

A Armadilha da Hérnia Crônica

Em hernias descobertas semanas após o trauma:

  1. Vísceras aderidas ao pleura e pericárdio por fibrina
  2. Fígado hepatomegálico por congestão crônica
  3. Alças intestinais isquêmicas por constrição prolongada

A cirurgia de hérnia crônica é tecnicamente muito mais difícil que a aguda — e o risco cirúrgico aumenta proporcionalmente.

Regra prática: em todo cão com histórico de trauma (mesmo sem dispneia imediata), radiografar o tórax — hernias pequenas podem ser assintomáticas inicialmente e apresentar-se de forma aguda semanas depois.

Prognóstico

| Situação | Tratamento | Prognóstico | |---|---|---| | Herniação aguda, sem isquemia intestinal | Cirurgia emergencial | Bom — 80-90% sobrevivem | | Herniação aguda com estômago herniado | Cirurgia urgência | Moderado | | Herniação crônica, aderências | Cirurgia eletiva após preparo | Moderado | | Herniação com intestino isquêmico | Ressecção + anastomose | Moderado a reservado | | PPDH congênita (peritoneopericárdica) | Cirurgia eletiva | Excelente |

Perguntas frequentes

O que é hérnia diafragmática e como ocorre em cão?+

A hérnia diafragmática ocorre quando há uma ruptura ou defeito no diafragma, permitindo que órgãos da cavidade abdominal (estômago, intestinos, fígado, baço) passem para a cavidade torácica. Hérnia diafragmática traumática (mais comum): mecanismo: trauma de alto impacto — principalmente atropelamento, mas também queda de altura, compressão; o diafragma, sendo o músculo mais exposto à compressão em trauma torácico-abdominal, pode rasgar; quando o impacto comprime o abdômen: pressão intra-abdominal aumenta subitamente → o diafragma, a estrutura mais fraca nesse gradiente de pressão, se rompe; conteúdo que hernia: os mais frequentes: lobo hepático (fígado), omento, intestinos delgado, estômago; baço em casos mais extensos; Fisiopatologia respiratória: vísceras no tórax → comprimem o pulmão do lado afetado → volume pulmonar reduz → hipoxemia; se o estômago hernia e dilata (aerofagia): compressão maciça do pulmão contralateral também; pulmão colapsado + comprimido → insuficiência respiratória progressiva; Hérnia diafragmática congênita (menos comum): Hérnia peritoneopericárdica (PPDH): comunicação entre a cavidade peritoneal e o saco pericárdico; vísceras no pericárdio → comprimem o coração; pode ser assintomática por anos; Weimaraner, Golden Retriever, Cocker Spaniel: maior prevalência; Hérnia de hiato: no esôfago, pelo hiato esofágico — regurgitação crônica.

Quais são os sinais clínicos e como diagnosticar hérnia diafragmática?+

A hérnia diafragmática traumática geralmente se apresenta em um contexto de trauma — mas pode ser descoberta dias a semanas após o evento, quando a dispneia aparece gradualmente. Sinais clínicos: Respiratórios (sempre presentes): dispneia: dificuldade respiratória, que pode ser leve a grave; taquipneia; respiração abdominal exagerada; ortopneia: piora em decúbito; Ausculta: sons intestinais ou borborigmos auscultados no tórax: peristaltismo intestinal dentro da cavidade torácica — sinal diagnóstico; abolição ou redução de sons pulmonares no lado afetado; Gastrointestinais: regurgitação ou vômito intermitente (compressão do estômago); redução do apetite; outros: mucosas pálidas ou cianóticas (hipoxemia grave). Diagnóstico por imagem: Radiografia de tórax: massa de tecido mole no hemitórax (fígado, intestinos); presença de alças intestinais no tórax: 'gas pattern' de intestino dentro do tórax; desvio da traqueia e do coração; diafragma não visível ou com contorno anormal; perda da silhueta do diafragma (sinal clássico); Ultrassom: pode identificar peristaltismo no tórax; Tomografia: superior para planejamento cirúrgico; Contraste GI (bário): delineia o estômago ou intestino no tórax — confirma definitivamente. Diagnóstico diferencial: derrame pleural (sem peristaltismo intratórax); pneumonia; hemotórax (história de trauma). Herniação crônica: cão pode ter hérnia por semanas ou meses antes do diagnóstico, especialmente se pequena.

Como estabilizar e tratar cirurgicamente a hérnia diafragmática?+

O manejo da hérnia diafragmática exige estabilização respiratória antes da cirurgia — levar um cão em hipoxemia grave diretamente para o centro cirúrgico aumenta muito o risco anestésico. Estabilização pré-cirúrgica: Oxigenoterapia: máscara ou colar de fluxo livre → elevar SpO₂ ≥ 95%; Posicionamento: manter o cão em posição esternal: reduz a compressão pulmonar pelas vísceras; evitar decúbito lateral: pode piorar acutamente; Analgesia: trauma + dispneia são muito dolorosos; opioides (metadona, tramadol): sem comprometimento respiratório em doses adequadas; Fluidos: se choque associado: ressuscitação com cristaloides; Evitar: sedação profunda antes de intubação: colapso em cão com reserva respiratória comprometida; colocação em decúbito dorsal sem intubação: pode piorar a herniação. Cirurgia (celiotomia ou toracotomia): Acesso: celiotomia mediana (laparotomia): mais comum; permite redução das vísceras e fechamento do diafragma; Procedimento: redução das vísceras (retorno ao abdômen): às vezes as vísceras estão aderidas ao pericárdio ou pleura por meses → cuidado; avaliação de viabilidade intestinal: alça intestinal isquêmica = ressecção; fechamento do diafragma: suturas simples interrompidas + contínua; Atenção na desinsuflação: ao expandir o pulmão recolapsado → risco de edema de reexpansão (fluido entra no pulmão descomprimido abruptamente); reexpansão gradual com ventilação controlada.

Qual o prognóstico da hérnia diafragmática canina e o que afeta o desfecho?+

O prognóstico da hérnia diafragmática traumática é favorável se tratada antes da falência respiratória grave. Fatores que determinam o prognóstico: Tempo de diagnóstico: herniação aguda (< 24h): frequentemente grave mas operável com urgência; herniação crônica (semanas a meses): alças intestinais aderidas, fígado aderido ao pericárdio → cirurgia mais complexa; Conteúdo herniado: estômago com dilatação: urgência absoluta — comprime o pulmão contralateral + risco de ruptura; intestino isquêmico: ressecção + anastomose aumenta o tempo cirúrgico e o risco; fígado: hepatomegalia por congestão pode ser manejada; Outras lesões traumáticas: pneumotórax associado, hemotórax, fraturas: aumentam a complexidade e o risco; Hérnia peritoneopericárdica (congênita): prognóstico muito bom — raramente há emergência; cirurgia eletiva com excelentes resultados; frequentemente assintomática e descoberta incidentalmente. Complicações pós-cirúrgicas: Edema de reexpansão pulmonar: monitorar SpO₂ nas primeiras 24h; Efusão pleural pós-operatória: drenagem se necessário; Aderências: em casos crônicos — relaparotomia raramente necessária; Falência respiratória: se o pulmão estava muito colapsado por muito tempo. Monitoramento pós-operatório: SpO₂ contínua nas primeiras 12-24h; radiografia de tórax 12h e 48h após: confirmar expansão pulmonar; conteúdo GI 24h após: confirmar peristaltismo e motilidade.

Continue lendo

Saúde

Tricuríase Canina: Trichuris vulpis, o Whipworm do Cão

A Tricuríase é causada por Trichuris vulpis — o 'whipworm' (verme-chicote) do cão, nematódeo que vive no cólon e ceco. É uma das helmintoses mais resistentes ao ambiente: os ovos de T. vulpis sobrevivem 5+ anos no solo. Causa diarreia mucossanguinolenta crônica e anemia em infecções graves. Diagnóstico: coproparasitologia (ovos com tampões polares — morfologia característica). Tratamento: fenbendazol 50 mg/kg por 3-5 dias (praziquantel NÃO tem efeito). Não é zoonose significativa para humanos — existe T. trichiura humana mas são espécies diferentes.

Saúde

Toxocarose Canina: Toxocara canis, Zoonose e Larva Migrans

A Toxocarose é causada por Toxocara canis — o áscaris do cão, nematódeo da família Toxocaridae. É uma das helmintoses mais prevalentes no mundo. Cães filhotes são os principais hospedeiros e disseminadores. Zoonose importante: a larva de T. canis em humanos causa Larva Migrans Visceral (fígado, pulmão, olho) e Larva Migrans Ocular — com risco de cegueira. Transmissão: ingestão de ovos embrionados no solo. Tratamento no cão: pirantel ou fenbendazol. Prevenção: vermifugação regular + higiene.

Saúde

Sebadenite Sebácea Canina: Destruição Imunomediada das Glândulas Sebáceas, Poodle Standard e Ciclosporina

A Sebadenite Sebácea (SS) é uma dermatopatia inflamatória imunomediada que destrói seletivamente as glândulas sebáceas. RAÇAS MAIS AFETADAS: Poodle Standard (prevalência estimada 1-5% da raça), Akita, Samoieda, Vizsla. DIAGNÓSTICO: biópsia cutânea com ausência ou destruição granulomatosa das glândulas sebáceas. SINAIS PATOGNOMÔNICOS: cilindros perifoliculares (casts) aderentes ao pelo; escamas foliculares; alopecia progressiva. TRATAMENTO: ciclosporina (5 mg/kg 1x/dia) + tratamento tópico intensivo (spray de óleo de girassol ou azeite). Sem cura — controle crônico.