Leishmaniose Tegumentar em Cães: Leishmania braziliensis
A Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) em cães é causada principalmente por Leishmania (Viannia) braziliensis — diferente da Leishmaniose Visceral (L. infantum/chagasi). Na LTA canina: lesões cutâneas e mucosas (úlceras, nódulos, alopecia, descamação) sem necessariamente comprometimento visceral grave. Vetor: flebotomíneo Lutzomyia sp. (especialmente L. intermedia, L. whitmani). Diagnóstico: biópsia + PCR. Tratamento: meglumine antimoniate (Glucantime) ± anfotericina B. Risco de zoonose: o cão é reservatório para a LTA humana.
A úlcera apareceu no focinho do cão três semanas depois da trilha na Mata Atlântica.
Bordas elevadas em moldura. Fundo com tecido de granulação. Sem febre. Sem emaciação.
Biópsia: macrófagos repletos de amastigotas. PCR: Leishmania braziliensis.
Leishmaniose Tegumentar. Não é a Visceral — não há hepatoesplenomegalia.
Lutzomyia na beira da mata. A picada que passou a Leishmania.
Glucantime 50 mg/kg/dia por trinta dias. A úlcera que vai cicatrizar com o antimonial.
LTA vs LVC em Cães — Diferenças Fundamentais
| Aspecto | LTA (Tegumentar) | LVC (Visceral) | |---|---|---| | Agente | L. braziliensis | L. infantum | | Lesão Principal | Cutânea + mucosa | Sistêmica (fígado, baço) | | Reservatório | Mamíferos silvestres | Cão doméstico (urbano) | | Eutanásia como controle | NÃO recomendada | Recomendada pelo PNCLV | | Tratamento | Glucantime 30 dias | Glucantime + alopurinol |
Diagnóstico — Métodos
| Método | Sensibilidade | Vantagem | |---|---|---| | PCR | Alta | Identifica a espécie | | Biópsia + histopatologia | Alta | Visualiza amastigotas | | Citologia (PAAF) | Moderada | Rápida | | Sorologia (RIFI/ELISA) | Variável | Não diferencia espécies |
Perguntas frequentes
O que é a Leishmaniose Tegumentar e como ela difere da Visceral em cães?+
A Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA; inglês: American Cutaneous Leishmaniasis — ACL; também: úlcera de Bauru, ferida brava, nariz de tapir — nomes populares no Nordeste); não confundir com: Leishmaniose Visceral Canina (LVC) — causada por L. infantum/chagasi — principal preocupação de saúde pública canina no Brasil; a LTA em cães tem apresentação MUITO DIFERENTE da LVC) é causada por espécies do subgênero Leishmania (Viannia) no Brasil, principalmente L. braziliensis. Diferenças fundamentais entre LTA e LVC em cães: Leishmaniose Tegumentar (LTA): agente: L. braziliensis (principalmente) + L. guyanensis, L. lainsoni, L. naiffi (raro); vetor: Lutzomyia intermedia, L. whitmani, L. flaviscutellata (região Norte); lesão: CUTÂNEA e MUCOSA — sem hepatoesplenomegalia primária; o cão não é o reservatório principal na LTA humana — a importância do cão na epidemiologia da LTA é menor que na LVC; Leishmaniose Visceral Canina (LVC): agente: L. infantum (= L. chagasi); vetor: Lutzomyia longipalpis; lesão: comprometimento SISTÊMICO — fígado, baço, medula óssea + cutâneo; O CÃO É O PRINCIPAL RESERVATÓRIO urbano da LVC humana — daí a estratégia de controle por eutanásia (polêmica) no Brasil; na LTA: o papel do cão como reservatório é muito debatido — para L. braziliensis, os reservatórios naturais são mamíferos silvestres (roedores, marsupiais); o cão pode ser hospedeiro acidental — não o principal amplificador; A LTA canina no Brasil: menos estudada que a LVC canina; casos documentados em áreas endêmicas do Nordeste, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo (mata atlântica); correlação com áreas de desmatamento e ecotono floresta-borda.
Quais são os sinais clínicos e como é feito o diagnóstico da LTA em cães?+
A LTA canina tem apresentação predominantemente cutânea — diferente da LVC com comprometimento sistêmico intenso. Sinais clínicos: Lesões cutâneas — as mais frequentes: úlceras cutâneas: a lesão clássica da LTA; bordas elevadas ('em moldura de quadro'), fundo com tecido de granulação; localização: cabeça (focinho, orelhas), extremidades (patas), tronco; tamanho variável: de poucos mm a lesões extensas; nódulos cutâneos: lesão nodular que pode ulcerar; lesões crostosas e alopécicas: descamação, crostas, alopecia focal; Lesões mucosas (leishmaniose mucocutânea): mais grave — rara em cães (mais comum em humanos); ulceração da mucosa nasal, oral, laringiana; Sinais sistêmicos (ausentes ou leves na LTA — diferente da LVC): os cães com LTA por L. braziliensis geralmente NÃO apresentam: hepatoesplenomegalia marcada; síndrome de emaciação severa; poliúria/polidipsia; proteinúria; Em casos raros com disseminação: comprometimento multissistêmico pode ocorrer; Diagnóstico: Biópsia das lesões ativas: histopatologia: macrófagos repletos de amastigotas (formas intracelulares de Leishmania); a biópsia é o método mais confiável; PCR (Reação em Cadeia da Polimerase): identificação e diferenciação de espécie (L. braziliensis vs L. infantum); sensibilidade alta em tecido fresco ou formalizado; disponível em laboratórios de referência (FIOCRUZ, laboratórios universitários); Citologia por aspiração (PAAF): mais rápida; identifica amastigotas mas menos sensível que biópsia; Sorologia (RIFI, ELISA): pode ser positiva mas não diferencia LTA de LVC; reação cruzada entre espécies de Leishmania; cultura em meio NNN: demorada (semanas); padrão-ouro mas pouco prático na clínica.
Qual é o tratamento da LTA em cães e qual é o risco de zoonose?+
O tratamento da LTA canina usa os mesmos antimoniais da LVC — mas há debate sobre o papel do cão na cadeia epidemiológica da LTA humana. Tratamento específico: Meglumine Antimoniate (Glucantime): o tratamento de escolha no Brasil; dose: 50-100 mg/kg/dia IM ou SC por 30 dias (mais prolongado que LVC); efeitos adversos: nefrotoxicidade, hepatotoxicidade — monitorar bioquímica a cada 2 semanas; a resposta clínica na LTA canina: geralmente boa em lesões cutâneas; lesões mucosas: mais difíceis de tratar; Anfotericina B lipossomal (AmBisome): segunda linha — mais eficaz que antimoniais para algumas espécies; custo alto; nefrotoxicidade menor que anfotericina convencional; Miltefosina: uso oral; disponível no Brasil para cães (Milteforan); efeitos adversos: GI; estudos em LTA canina: limitados; Cuidados locais das úlceras: limpeza suave das úlceras com solução fisiológica; bandagens protetoras; antibióticos tópicos se infecção bacteriana secundária presente; Risco de zoonose — nuances importantes: LTA (L. braziliensis): o papel do cão como RESERVATÓRIO é menor que na LVC; os reservatórios naturais da L. braziliensis são mamíferos silvestres; a transmissão ao humano ocorre pela picada do flebotomíneo — não por contato direto com o cão; CONTROLAR vetores: proteção antiparasitária com inseticidas (coleiras ou spot-on com deltametrina, permetrina) — reduz a picada do flebotomíneo no cão E nos humanos da casa; diferente da LVC: para LTA, a eutanásia do cão NÃO é recomendada como medida de controle — o cão não é o principal reservatório.
Como a LTA canina se compara com a LVC e qual é o papel epidemiológico do cão?+
Entender as diferenças entre LTA e LVC em cães é fundamental para o correto manejo clínico e epidemiológico. LTA vs LVC em cães — comparação detalhada: Leishmaniose Tegumentar (LTA): agente L. braziliensis; vetor L. intermedia/whitmani; lesão: cutânea + mucosa; sistêmica: mínima ou ausente; reservatório principal: mamíferos silvestres; cão: hospedeiro acidental; tratamento: antimoniais 30 dias; eutanásia: NÃO recomendada como controle; notificação obrigatória: sim (SINAN); Leishmaniose Visceral Canina (LVC): agente L. infantum; vetor L. longipalpis; lesão: sistêmica (fígado, baço, medula, pele); reservatório principal: CÃO DOMÉSTICO em área urbana; cão: principal amplificador urbano; tratamento: antimoniais + alopurinol; eutanásia: recomendada pelo PNCLV (polêmica); notificação obrigatória: sim; A polêmica da eutanásia na LVC: o Programa Nacional de Controle da Leishmaniose Visceral (PNCLV/MS) recomenda eutanásia de cães soropositivos assintomáticos — medida controversa que o CFV (Conselho Federal de Veterinária) questiona; o argumento: remover o reservatório principal; o contraponto: a sorologia tem falsos positivos e o tratamento com miltefosina reduz a infectividade; para LTA: essa polêmica não existe — o cão não é o reservatório principal; Áreas de risco no Brasil: LTA: Mata Atlântica (ES, RJ, SP, MG), Norte (Amazônia), Nordeste; zonas de desmatamento; LVC: principalmente área semiárida do Nordeste, expansão para centros urbanos (Belo Horizonte, Araçatuba, Campo Grande).
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Tricuríase Canina: Trichuris vulpis, o Whipworm do Cão
A Tricuríase é causada por Trichuris vulpis — o 'whipworm' (verme-chicote) do cão, nematódeo que vive no cólon e ceco. É uma das helmintoses mais resistentes ao ambiente: os ovos de T. vulpis sobrevivem 5+ anos no solo. Causa diarreia mucossanguinolenta crônica e anemia em infecções graves. Diagnóstico: coproparasitologia (ovos com tampões polares — morfologia característica). Tratamento: fenbendazol 50 mg/kg por 3-5 dias (praziquantel NÃO tem efeito). Não é zoonose significativa para humanos — existe T. trichiura humana mas são espécies diferentes.
Toxocarose Canina: Toxocara canis, Zoonose e Larva Migrans
A Toxocarose é causada por Toxocara canis — o áscaris do cão, nematódeo da família Toxocaridae. É uma das helmintoses mais prevalentes no mundo. Cães filhotes são os principais hospedeiros e disseminadores. Zoonose importante: a larva de T. canis em humanos causa Larva Migrans Visceral (fígado, pulmão, olho) e Larva Migrans Ocular — com risco de cegueira. Transmissão: ingestão de ovos embrionados no solo. Tratamento no cão: pirantel ou fenbendazol. Prevenção: vermifugação regular + higiene.
Sebadenite Sebácea Canina: Destruição Imunomediada das Glândulas Sebáceas, Poodle Standard e Ciclosporina
A Sebadenite Sebácea (SS) é uma dermatopatia inflamatória imunomediada que destrói seletivamente as glândulas sebáceas. RAÇAS MAIS AFETADAS: Poodle Standard (prevalência estimada 1-5% da raça), Akita, Samoieda, Vizsla. DIAGNÓSTICO: biópsia cutânea com ausência ou destruição granulomatosa das glândulas sebáceas. SINAIS PATOGNOMÔNICOS: cilindros perifoliculares (casts) aderentes ao pelo; escamas foliculares; alopecia progressiva. TRATAMENTO: ciclosporina (5 mg/kg 1x/dia) + tratamento tópico intensivo (spray de óleo de girassol ou azeite). Sem cura — controle crônico.