Pioderma Superficial em Cachorro: Infecção Bacteriana de Pele
A pioderma superficial (impetigo, foliculite superficial, dermatite de dobras) é a dermatose infecciosa mais comum em cães — causada principalmente por Staphylococcus pseudintermedius. Pústulas, crostas, colarinho epidermal e alopecia focal. Shampoo antibacteriano é fundamental. Antibiótico oral em casos extensos. Tratar a causa predisponente é obrigatório para evitar recidiva.
O Cocker Spaniel de 3 anos chegava pela quarta vez em 6 meses com pústulas no ventre. Cada vez tratavam com cefalexina — melhorava, voltava.
A causa nunca havia sido investigada.
Teste de atopia: positivo para ácaros de poeira e gramíneas. Schirmer bilateral: 8 mm/min (QCS). Staphylococcus pseudintermedius sensível na cultura.
Três problemas simultâneos. A pioderma era o sintoma — não a doença.
O Staphylococcus na Pele do Cão
O Staphylococcus pseudintermedius vive normalmente na pele saudável de todo cão:
| Condição da pele | Resultado | |---|---| | Pele saudável com barreira normal | Staphylococcus comensal, sem infecção | | Barreira comprometida (atopia, trauma, umidade) | Staphylococcus cresce → pioderma |
Pioderma = falha na barreira cutânea, não apenas presença do Staph.
As Lesões — O Que Procurar
| Lesão | O Que É | Significado | |---|---|---| | Pústula | Bolha purulenta | Infecção ativa (efêmera) | | Crosta amarela | Pústula rompida | Pioderma em evolução | | Colarinho epidermal | Bordo de escamas circular | Característico de pioderma | | Alopecia focal | Pelos caídos | Foliculite |
Protocolo de Tratamento
| Componente | Produto | Frequência | |---|---|---| | Shampoo | Clorexidina 2-4% | 2-3× por semana | | Spray tópico | Clorexidina 2% | Diário nas lesões | | Antibiótico oral | Cefalexina 22mg/kg | 2-3× ao dia por 3-4 semanas | | Causa predisponente | Depende | Tratar especificamente |
As Causas Predisponentes — Verificar Sempre
| Causa | Frequência | Investigação | |---|---|---| | Atopia | Alta | Teste intradat/sorológico de alergia | | DAP (alergia à pulga) | Alta | Controle de pulgas + resposta | | Hipotireoidismo | Moderada | TSH + T4 livre | | Sarna demodécica | Moderada | Raspado de pele | | Cushing | Moderada | Cortisol pós-ACTH ou supressão dexametasona |
Perguntas frequentes
O que é pioderma superficial e quais são as causas?+
A pioderma superficial é uma infecção bacteriana que envolve apenas as camadas superficiais da pele — epiderme e porção superficial dos folículos pilosos. É a dermatose infecciosa mais diagnosticada em cães. Agente causador: Staphylococcus pseudintermedius em >90% dos casos; é um comensal normal da pele do cão — só causa infecção quando as defesas cutâneas estão comprometidas; Staphylococcus aureus (MRSA): menos comum em cão; risco de zoonose para humanos imunossuprimidos; Tipos de pioderma superficial: Impetigo: pústulas subepidérmicas não foliculares; mais em filhotes; Foliculite bacteriana superficial: infecção da porção superior do folículo piloso; mais comum em adultos; Dermatite de dobras (intertrigo): infecção nas dobras cutâneas — facial (Bulldog, Pug), labial, vulvar, corporal; Causas predisponentes (OBRIGATÓRIO identificar): alergia (atopia ou DAP — dermatite alérgica à pulga): a mais comum; hipotireoidismo; Cushing (hiperadrenocorticismo); outros endocrinopatias; ectoparasitas (sarna demodécica); trauma; umidade crônica.
Quais são os sinais de pioderma superficial e como diagnosticar?+
Lesões características da pioderma superficial: Pústulas intactas: pequenas bolhas com conteúdo purulento — frequentemente vistas antes de serem rompidas; efêmeras — muitas vezes ausentes na consulta; Crostas: pústulas rompidas → crostas amareladas ou amarelo-avermelhadas; Colarinho epidermal: bordo circular de escamas ao redor de pústula rompida — característico; Eritema (vermelhidão) focal; Alopecia focal: pelos caídos na área afetada; Prurido variável; Localização mais comum: ventre, virilha, axilas (regiões de pele mais fina); dorso (foliculite); Diagnóstico: Exame clínico: as lesões são geralmente características; Citologia por imprint ou tape test: neutrófilos + cocos (estafilococos) = confirma infecção bacteriana; rápida e barata; Cultura e antibiograma: indicado em casos recorrentes ou refratários; especialmente importante para descartar MRSP (Staphylococcus pseudintermedius resistente à meticilina); identificar a causa predisponente: hemograma, bioquímica, teste de alergias — fundamental para evitar recorrência.
Como tratar pioderma superficial em cachorro?+
Tratamento: combinação de terapia tópica + sistêmica conforme a extensão. Terapia tópica (fundamental em TODOS os casos): Shampoo antibacteriano: clorexidina 2-4% + cetoconazol (opcional); 2-3× por semana durante 3-4 semanas; deixar o shampoo em contato por 5-10 minutos; spray de clorexidina 2%: aplicar após o banho nas áreas afetadas; Mupirocina tópica: em lesões localizadas sem necessidade de antibiótico sistêmico; Tratamento sistêmico (indicado em lesões extensas, profundas ou sem resposta ao tópico): Cefalexina: 22 mg/kg a cada 8-12h VO; 3-4 semanas mínimo; Amoxicilina-clavulanato: alternativa; Doxiciclina: em casos de MRSP ou resistência; duração mínima: 3-4 semanas; continuar 7 dias após remissão das lesões; Tratamento tópico NÃO deve ser abandonado durante o tratamento sistêmico; Tratar a causa predisponente: sem controle da atopia, hipotireoidismo ou outro fator → recidiva em semanas; este é o ponto mais importante para prognóstico a longo prazo.
Quais cães têm mais predisposição a pioderma e como prevenir recidivas?+
Predisposição a pioderma superficial: Raças com pele com dobras: Bulldog, Pug, Buldogue Francês, Shar-Pei, Basset Hound — intertrigo crônico; Raças atópicas: West Highland White Terrier, Golden Retriever, Labrador, Boxer, Cocker, Shih Tzu, Yorkshire — infecções secundárias à atopia são muito frequentes; Raças com hipotireoidismo: Dobermann, Rottweiler, Golden, Labrador — pele ressecada e imunidade reduzida; Cães com endocrinopatias: Cushing, hipotireoidismo; Prevenção de recidivas: Controle da atopia: imunoterapia, oclacitinib (Apoquel), lokivetmab (Cytopoint), corticoides com critério; Controle de ectoparasitas: isoxazolines mensais — controla pulgas e sarna demodécica; Limpeza de dobras: limpeza diária com pano úmido + secagem nas dobras de Bulldog, Pug e Shar-Pei; Triagem hormonal: TSH + T4 livre em raças predispostas; Shampoo de manutenção: clorexidina 2% semanal como manutenção em cão atópico; Pioderma recorrente sem causa identificada: considerar Staphylococcus pseudintermedius resistente à meticilina (MRSP) — requerer cultura e antibiograma urgente.
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Tricuríase Canina: Trichuris vulpis, o Whipworm do Cão
A Tricuríase é causada por Trichuris vulpis — o 'whipworm' (verme-chicote) do cão, nematódeo que vive no cólon e ceco. É uma das helmintoses mais resistentes ao ambiente: os ovos de T. vulpis sobrevivem 5+ anos no solo. Causa diarreia mucossanguinolenta crônica e anemia em infecções graves. Diagnóstico: coproparasitologia (ovos com tampões polares — morfologia característica). Tratamento: fenbendazol 50 mg/kg por 3-5 dias (praziquantel NÃO tem efeito). Não é zoonose significativa para humanos — existe T. trichiura humana mas são espécies diferentes.
Toxocarose Canina: Toxocara canis, Zoonose e Larva Migrans
A Toxocarose é causada por Toxocara canis — o áscaris do cão, nematódeo da família Toxocaridae. É uma das helmintoses mais prevalentes no mundo. Cães filhotes são os principais hospedeiros e disseminadores. Zoonose importante: a larva de T. canis em humanos causa Larva Migrans Visceral (fígado, pulmão, olho) e Larva Migrans Ocular — com risco de cegueira. Transmissão: ingestão de ovos embrionados no solo. Tratamento no cão: pirantel ou fenbendazol. Prevenção: vermifugação regular + higiene.
Sebadenite Sebácea Canina: Destruição Imunomediada das Glândulas Sebáceas, Poodle Standard e Ciclosporina
A Sebadenite Sebácea (SS) é uma dermatopatia inflamatória imunomediada que destrói seletivamente as glândulas sebáceas. RAÇAS MAIS AFETADAS: Poodle Standard (prevalência estimada 1-5% da raça), Akita, Samoieda, Vizsla. DIAGNÓSTICO: biópsia cutânea com ausência ou destruição granulomatosa das glândulas sebáceas. SINAIS PATOGNOMÔNICOS: cilindros perifoliculares (casts) aderentes ao pelo; escamas foliculares; alopecia progressiva. TRATAMENTO: ciclosporina (5 mg/kg 1x/dia) + tratamento tópico intensivo (spray de óleo de girassol ou azeite). Sem cura — controle crônico.