Saúde

Síndrome de Horner em Cachorro: Ptose, Miose e Enoftalmia

A Síndrome de Horner é causada pela interrupção da inervação simpática ocular — resulta na tríade: ptose (pálpebra caída), miose (pupila contraída), enoftalmia (olho afundado) e terceira pálpebra protrusa. Pode ser idiopática (30-50% dos casos), ou sintoma de otite média, tumor mediastinal, trauma cervical ou lesão espinal. Diagnóstico pelo teste de fenilefrina.

30 de maio de 2026·2 min de leitura

O Golden de 5 anos chegou com olho esquerdo estranho — pálpebra caída, pupila menor que a direita, "olho afundado" e a terceira pálpebra aparecendo no canto medial.

Nenhuma dor aparente. Sem histórico de trauma. Sem sinais neurológicos.

A tríade é diagnóstica: Síndrome de Horner.

O próximo passo não é tratar o olho — é encontrar por que a inervação simpática falhou.

A Anatomia do Simpático Ocular — Três Neurônios

O simpático que controla o olho percorre um trajeto longo e vulnerável:

Hipotálamo
    ↓ (1ª ordem — dentro do crânio e medula C1-T3)
Mediastino
    ↓ (2ª ordem — passa pelo tórax)
Gânglio cervical cranial → ouvido médio → órbita
    ↓ (3ª ordem — próximo ao ouvido médio)
Olho: dilatador da pupila, músculo de Müller, músculo orbital

Qualquer interrupção neste trajeto = Síndrome de Horner.

A Tríade Clínica — Reconhecimento Imediato

| Sinal | Músculo afetado | Mecanismo | |---|---|---| | Ptose (pálpebra caída) | Músculo de Müller (pálpebra sup.) | Sem tônus simpático | | Miose (pupila contraída) | Músculo dilatador da pupila | Parassimpático dominante | | Enoftalmia (olho afundado) | Músculo orbital retrobulbar | Sem tônus simpático | | 3ª pálpebra protrusa | Decorrência da enoftalmia | Globo afundado expõe a pálpebra |

O Teste de Fenilefrina 10% — Localiza o Neurônio

Uma gota de fenilefrina 10% no olho afetado — medir o tempo até ptose resolver:

| Tempo de resposta | Neurônio lesado | Causa provável | |---|---|---| | < 20 minutos | 3ª ordem (pós-ganglionar) | Otite média — investigar primeiro | | 20-90 minutos | 2ª ordem (pré-ganglionar) | Massa mediastinal, avulsão braquial | | > 90 minutos | 1ª ordem (central) | Lesão espinal, AVC, tumor SNC |

Quanto mais rápida a resposta à fenilefrina, mais periférica a lesão — e em cão, a causa mais comum de lesão periférica é otite média.

Investigação — O Ouvido Vem Primeiro

Em cão com Horner de 3ª ordem:

  1. Otoscopia — verificar canal auditivo
  2. TC do ouvido médio (bolha timpânica) — otite média pode ser assintomática

Otite média pode causar Horner sem dor aparente — o tutor não percebe o problema no ouvido.

O Horner Idiopático do Golden

Golden Retriever e Labrador têm predisposição ao Horner idiopático — sem causa identificável, resolução espontânea em 4-16 semanas.

O diagnóstico de idiopático só é feito após excluir otite, massa mediastinal e lesão espinal.

Perguntas frequentes

O que é a Síndrome de Horner em cães e como se manifesta?+

A Síndrome de Horner é a interrupção do sistema nervoso simpático que inerva o olho e a região periocular. O simpático ocular tem três neurônios em série: Neurônio de primeira ordem: hipotálamo → medula espinal (C1-T3); Neurônio de segunda ordem: medula → gânglio cervical cranial (passa pelo mediastino); Neurônio de terceira ordem: gânglio cervical cranial → olho (passa pelo ouvido médio); Quando qualquer ponto desta cadeia é interrompido: a inervação simpática do olho é perdida → síndrome de Horner. A tríade clínica clássica: Ptose: queda da pálpebra superior (m. liso de Müller perde tônus simpático); Miose: pupila contraída (m. dilatador da pupila — simpático — perde função); Enoftalmia: olho 'afundado' na órbita (m. orbital retrobulbar perde tônus); Terceira pálpebra protrusa: decorrência da enoftalmia — o globo afundado permite que a terceira pálpebra protua; Em um olho apenas (unilateral): a lesão é ipsilateral — o Horner está do mesmo lado que a lesão; Horner bilateral: sugere lesão central ou sistêmica.

Quais são as causas da Síndrome de Horner em cães?+

As causas se dividem por localização do neurônio afetado. Neurônio de 1ª ordem (lesão central — SNC): lesões do tronco encefálico: AVC, tumor, trauma; lesões espinais C1-T3: IVDD (hérnia de disco), trauma, tumor; siringomielia; Neurônio de 2ª ordem (lesão pré-ganglionar — região torácica): massa mediastinal: linfoma, timoma — COMUM em cão com Horner; trauma ou cirurgia na região cervical/torácica; avulsão do plexo braquial: trauma por atropelamento, queda; Neurônio de 3ª ordem (lesão pós-ganglionar — ouvido médio): otite média/interna: CAUSA MAIS COMUM de Horner em cães; o nervo simpático passa próximo ao ouvido médio — inflamação ou infecção pode comprimir; pólipos de ouvido; Idiopático: 30-50% dos casos de Horner em cães: sem causa identificável; resolução espontânea em semanas a meses; prognóstico bom; Golden Retriever, Labrador e outras raças grandes têm predisposição ao Horner idiopático; Raças predispostas ao idiopático: Golden Retriever, Labrador Retriever — por razão desconhecida.

Como diagnosticar a Síndrome de Horner e localizar a lesão?+

Diagnóstico: o diagnóstico clínico da síndrome é simples (a tríade é inconfundível); o desafio é identificar a causa e localizar o neurônio afetado. Teste de fenilefrina 10%: aplicar uma gota de fenilefrina 10% no olho afetado; observar o tempo de reversão da ptose e midríase: < 20 minutos: lesão de 3ª ordem (pós-ganglionar — ouvido médio); 20-90 minutos: lesão de 2ª ordem (pré-ganglionar — mediastino); > 90 minutos: lesão de 1ª ordem (central); mecanismo: a fenilefrina causa midríase por ação direta nos receptores — olho denervado é supersensível e responde mais rápido. Investigação da causa: Otoscopia + tomografia do ouvido médio: para localizar otite ou pólipo; Raio-X torácico: massa mediastinal; TC de coluna: lesão espinal; TC/RM crânio: lesão central; Exame neurológico completo: localizar déficits. Causa mais frequente a investigar primeiro: 1. Otite média (ouvido médio) — TC ou radiografia bolha timpânica; 2. Massa mediastinal — Rx torácico; 3. Trauma de plexo braquial — histórico.

Como tratar a Síndrome de Horner e qual o prognóstico?+

Tratamento: trata-se a causa subjacente — o Horner em si não tem tratamento específico. Por causa: Otite média: antibioticoterapia prolongada (4-8 semanas); em otite crônica: miringotomia para drenagem; o Horner pode resolver com o tratamento da otite; Massa mediastinal: biópsia e tratamento específico (quimioterapia se linfoma); Lesão espinal (IVDD): tratamento médico ou cirúrgico conforme o caso; o Horner pode ser sinal precoce de compressão espinal; Avulsão do plexo braquial: prognóstico reservado — lesão frequentemente irreversível; Idiopático: sem tratamento específico — monitoração; resolução espontânea em 4-16 semanas na maioria dos casos; Prognóstico geral: Idiopático: excelente — resolve sozinho; Otite média: bom com tratamento; Linfoma/tumor: depende da resposta ao tratamento; Lesão espinal central: variável; Avulsão de plexo braquial: reservado; O Horner em si não compromete a visão — é cosmético. O prognóstico real depende da causa subjacente.

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