Saúde

Síndrome de Stevens-Johnson e Necrólise Epidérmica Tóxica em Cães

A Síndrome de Stevens-Johnson (SJS) e a Necrólise Epidérmica Tóxica (NET — também TEN) são reações cutâneas graves e potencialmente fatais — resultam na morte massiva de queratinócitos e desprendimento extenso da epiderme. No cão, o quadro canino equivalente envolve erosões/ulcerações mucosas, vesículas e descamação de pele em extensão variável. Causa mais comum: reação medicamentosa (antibióticos, anticonvulsivantes, AINEs, sulfonamidas). Diagnóstico: biópsia (necrose de queratinócitos em toda a espessura da epiderme). Tratamento: suspensão imediata do fármaco + suporte intensivo. Prognóstico: grave — mortalidade elevada na forma NET.

31 de maio de 2026·1 min de leitura

O Dobermann começou com febre e úlceras na boca três semanas após o início do antibiótico.

Trimethoprim-sulfadiazine. O sinal de Nikolsky positivo — a pele se desprendendo ao toque.

Necrólise Epidérmica Tóxica. A suspensão imediata do medicamento. O hospital veterinário.

A reação que não se distingue de uma grande queimadura — sem o fogo.

A biópsia: necrose de toda a espessura da epiderme. Diagnóstico confirmado.

O prognóstico que o tutor precisava conhecer desde a primeira consulta.

Espectro SJS/NET — Gravidade por Área Afetada

| Forma | Área Afetada | Mortalidade | Status | |---|---|---|---| | Eritema Multiforme (EM) | Lesões focais em alvo | Baixa | Menos grave | | SJS | < 10% superfície | 10-30% | Grave | | SJS/NET sobreposição | 10-30% superfície | 20-40% | Muito grave | | NET | > 30% superfície | 30-50%+ | Extremamente grave |

Medicamentos Mais Frequentes — SJS/NET em Cães

| Medicamento | Frequência | Raças com Maior Risco | |---|---|---| | Sulfonamidas (TMP-SDZ) | O mais frequente | Dobermann, Samoyeda, Schnauzer | | Cefalosporinas | Ocasional | Qualquer | | Fenobarbital | Ocasional | Qualquer | | AINEs (carprofen) | Raro | Qualquer |

Perguntas frequentes

O que é a Síndrome de Stevens-Johnson e a Necrólise Epidérmica Tóxica em cães?+

A Síndrome de Stevens-Johnson (SJS; inglês: Stevens-Johnson Syndrome; também: eritema multiforme major — a classificação varia; não confundir com: Eritema Multiforme (EM) minor — forma mais leve, com alvo típico cutâneo, geralmente autolimitada e de melhor prognóstico; a SJS/NET é o extremo grave do espectro; Pênfigo Foliáceo — diferentes autoanticorpos, diferente histopatologia; Vasculite Cutânea — inflamação vascular, não necrose epidérmica; Quimioterapia — pode causar mucosite mas com mecanismo diferente; Lupus — diferente) é uma dermatose imune-mediada grave caracterizada por NECROSE MACIÇA DE QUERATINÓCITOS (células da epiderme), levando ao desprendimento extenso da pele — similar a uma queimadura de segundo-terceiro grau. O espectro SJS/NET: SJS (Stevens-Johnson Syndrome): < 10% da superfície corporal afetada; mais grave que o EM mas com área menor; Sobreposição SJS/NET: 10-30% da superfície corporal; NET (Necrólise Epidérmica Tóxica): > 30% da superfície corporal — a forma mais grave; quanto maior a área afetada: maior o risco de óbito; No cão — particularidades: a distinção humana SJS/NET por porcentagem de superfície corporal é aplicada aproximadamente em medicina veterinária; o cão apresenta: ulcerações/erosões mucosas (oral, ocular, nasal, anal, genital) — SEMPRE presentes; lesões vesico-bolhosas ou erosivas cutâneas; sinal de Nikolsky positivo: a pressão leve na pele causa descolamento da epiderme; descamação cutânea em área variável; Causas — a mais importante: MEDICAMENTOS: sulfonamidas (trimethoprim-sulfadiazine, ormetoprim-sulfadimetoxine) — a causa mais frequente no cão; cefalosporinas (cefpotec, cephalexin); fenobarbital; carprofen e outros AINEs; alopurinol; levetiracetam (relatado); vacinas (muito raramente); o intervalo entre o início do medicamento e o início dos sinais: 1-3 semanas geralmente.

Quais são os sinais clínicos e como é feito o diagnóstico?+

A SJS/NET tem sinais clínicos fulminantes — o reconhecimento precoce e a suspensão do medicamento são urgentes. Sinais clínicos — início agudo: Sinais sistêmicos precursores: febre alta (39,5-41°C), letargia, anorexia, pode preceder as lesões cutâneas em 1-5 dias; Lesões mucosas — presentes em quase todos os casos: mucosa oral: erosões, ulcerações avermelhadas, sialorreia; conjuntiva: eritema, descarga, blefaroespasmo, fotofobia; mucosa nasal: crostas, erosões, descarga; mucosa anal e genital: erosões; Lesões cutâneas: eritema difuso inicial — avermelhamento generalizado; vesículas e bolhas que se rompem facilmente — deixando erosões; sinal de Nikolsky: pressão lateral leve na pele causa descolamento → confirma necrose epidérmica; descamação em lençóis — a pele se destaca em placas; Áreas de predileção: face, mucosa oral, regiões de contato (axilas, virilha); pode se espalhar; Diagnóstico — protocolo urgente: Biópsia de pele incisional — DIAGNÓSTICO DEFINITIVO: histopatologia: necrose de queratinócitos em TODA a espessura da epiderme (distingue da EM minor onde a necrose é focal); separação subepidérmica; necrose epitelial maciça; Imunofluorescência direta (IFD): pode ajudar a excluir pênfigo e lúpus; Histórico medicamentoso: FUNDAMENTAL — qual medicamento, há quanto tempo; Hemograma + bioquímica: monitorar infecção secundária, função renal/hepática; Diferencial: EM minor: lesões em alvo, menos mucosa, histologia diferente; Pênfigo Foliáceo: crostas, não erosões — histologia: acantólise; Lúpus — LES: anticorpos anti-DNA; histologia diferente.

Qual é o tratamento e o prognóstico da SJS/NET em cães?+

O tratamento da SJS/NET começa pela suspensão imediata do medicamento causador e suporte intensivo. Tratamento — urgente: SUSPENSÃO IMEDIATA DO MEDICAMENTO CAUSADOR: a ação mais importante e urgente; se o fármaco continuar: a progressão é inevitável; identificar todos os medicamentos que o animal recebe e suspender os suspeitos; Cuidados de suporte intensivo — similar à grande queimatura: Fluidoterapia IV: reposição de fluidos e eletrólitos — a pele comprometida perde fluidos como uma queimadura; Nutrição: suporte nutricional — frequentemente impossível de alimentar por via oral pelas lesões orais; sonda nasoesofágica ou parenteral; Controle de temperatura: animais com grande área de pele comprometida têm termorregulação prejudicada; Curativos: curativo oclusivo das áreas erosadas; prevent adherência; curativo de contato não-aderente; Antibióticos: para infecção secundária — as erosões são portal de entrada para septicemia; Analgesia: lesões muito dolorosas; opióides frequentemente necessários; Cuidados oculares: colírios lubrificantes + antibióticos oftálmicos + corticoides oftálmicos (se sem ulceração); blefarite: tratamento tópico; Imunomodulação — controversa: ciclosporina: usada em alguns casos para modular a resposta imune; corticoides sistêmicos: controversos — podem aumentar risco infeccioso nas formas graves; humano: IVIG (imunoglobulina humana IV) é usada — raramente acessível na medicina veterinária; Prognóstico: SJS (< 10%): guarda — mortalidade de 10-30% em casos graves; NET (> 30%): mau — mortalidade de 30-50%+ dependendo da extensão e complicações (septicemia); a velocidade de suspensão do medicamento é o principal determinante do prognóstico.

Quais medicamentos têm maior risco de causar SJS/NET em cães e como prevenir?+

O conhecimento dos medicamentos de maior risco permite vigilância adequada após sua prescrição. Medicamentos com relato de SJS/NET em cães: Sulfonamidas — O MAIOR RISCO: trimethoprim-sulfadiazine (TMP-SDZ): o antibiótico mais frequentemente implicado em SJS/NET canina; combinações sulfonamidas são amplamente usadas em medicina veterinária — risco real; início dos sinais: 1-3 semanas após início do tratamento; raças com maior suscetibilidade às sulfonamidas: Dobermann, Samoyeda, Miniature Schnauzer; Cefalosporinas: relatos menos frequentes; Fenobarbital: anticonvulsivante — risco de dermatopatia; Carprofen e outros AINEs: hepatotoxicidade mais conhecida, mas SJS descrita; Potencialmente qualquer medicamento: a reação idiossincrática pode, teoricamente, ocorrer com qualquer fármaco em indivíduos suscetíveis; Prevenção e monitoramento: ao prescrever sulfonamidas ou outros medicamentos de risco: informar o tutor sobre os sinais de alerta — ulcerações na boca, olhos vermelhos, febre súbita, erupção cutânea; orientar retorno IMEDIATO se qualquer sinal aparecer; teste de provocação (rechallenge): CONTRAINDICADO — nova exposição ao fármaco suspeito pode causar reação mais grave e mais rápida; Diagnóstico diferencial com outras dermatopatias medicamentosas: Fixed drug eruption: lesão restrita, recorrente no mesmo local; Eritema multiforme minor: mais brando, lesões em alvo, mucosa menos envolvida; Eritema multiforme major: equivalente ao SJS; A vigilância pós-sulfonamida é a principal medida preventiva — reavaliar o animal 7-10 dias após o início do tratamento.

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Saúde

Tricuríase Canina: Trichuris vulpis, o Whipworm do Cão

A Tricuríase é causada por Trichuris vulpis — o 'whipworm' (verme-chicote) do cão, nematódeo que vive no cólon e ceco. É uma das helmintoses mais resistentes ao ambiente: os ovos de T. vulpis sobrevivem 5+ anos no solo. Causa diarreia mucossanguinolenta crônica e anemia em infecções graves. Diagnóstico: coproparasitologia (ovos com tampões polares — morfologia característica). Tratamento: fenbendazol 50 mg/kg por 3-5 dias (praziquantel NÃO tem efeito). Não é zoonose significativa para humanos — existe T. trichiura humana mas são espécies diferentes.

Saúde

Toxocarose Canina: Toxocara canis, Zoonose e Larva Migrans

A Toxocarose é causada por Toxocara canis — o áscaris do cão, nematódeo da família Toxocaridae. É uma das helmintoses mais prevalentes no mundo. Cães filhotes são os principais hospedeiros e disseminadores. Zoonose importante: a larva de T. canis em humanos causa Larva Migrans Visceral (fígado, pulmão, olho) e Larva Migrans Ocular — com risco de cegueira. Transmissão: ingestão de ovos embrionados no solo. Tratamento no cão: pirantel ou fenbendazol. Prevenção: vermifugação regular + higiene.

Saúde

Sebadenite Sebácea Canina: Destruição Imunomediada das Glândulas Sebáceas, Poodle Standard e Ciclosporina

A Sebadenite Sebácea (SS) é uma dermatopatia inflamatória imunomediada que destrói seletivamente as glândulas sebáceas. RAÇAS MAIS AFETADAS: Poodle Standard (prevalência estimada 1-5% da raça), Akita, Samoieda, Vizsla. DIAGNÓSTICO: biópsia cutânea com ausência ou destruição granulomatosa das glândulas sebáceas. SINAIS PATOGNOMÔNICOS: cilindros perifoliculares (casts) aderentes ao pelo; escamas foliculares; alopecia progressiva. TRATAMENTO: ciclosporina (5 mg/kg 1x/dia) + tratamento tópico intensivo (spray de óleo de girassol ou azeite). Sem cura — controle crônico.