Torção Esplênica em Cães: Emergência Cirúrgica Abdominal
A torção esplênica (TE) é a rotação do baço em torno do hilo esplênico, interrompendo o fluxo vascular e causando congestão progressiva e necrose. Pode ocorrer isoladamente (Torção Esplênica Primária) ou associada à Dilatação-Vólvulo Gástrico (DVG). Pastor Alemão de meia-idade: predisposição específica para torção esplênica primária. Sinais: distensão abdominal, dor, anemia hemolítica progressiva, Heinz bodies. Tratamento: esplenectomia de emergência.
O Pastor Alemão de seis anos passou o dia mais quieto que o normal.
Vômito duas vezes. Barriga crescendo do lado esquerdo.
À noite: palidez de mucosas. Icterícia. Urina marrom-escura.
Ultrassom: baço 15 vezes o tamanho normal. Hilo sem fluxo ao Doppler.
Torção esplênica. Emergência. Esplenectomia imediata.
Oito horas depois do cirurgia: estável. Prognóstico: bom.
Sinais Diferenciais — Torção Esplênica vs DVG
| Aspecto | Torção Esplênica Primária | DVG (Dilatação-Vólvulo Gástrico) | |---|---|---| | Instalação | Gradual — horas a dias | Aguda — minutos a horas | | Distensão | Cranial-esquerda (baço) | Cranial generalizada (estômago) | | Icterícia | Sim — hemólise | Não | | Urina marrom | Sim — hemoglobinúria | Não | | Tentativas de vômito | Presente | Improdutivas e intensas | | Estômago na imagem | Normal | Dilatado e rodado |
Diagnóstico
| Exame | Achado | Importância | |---|---|---| | Ultrassom (Doppler) | Ausência de fluxo no hilo esplênico | Diagnóstico | | Radiografia | Massa no cranial-esquerdo | Sugestiva | | Hemograma | Anemia + Heinz bodies + esquizócitos | Hemólise documentada | | Bilirrubina | Elevada | Hemólise sistêmica |
Tratamento e Prognóstico
| Situação | Prognóstico | Conduta | |---|---|---| | TE sem CID, cirurgia precoce | Bom a excelente | Esplenectomia de emergência | | TE com CID | Reservado | Esplenectomia + suporte intensivo | | TE + HAS esplênico | Ruim (4-6 meses mediana) | Esplenectomia + oncologia |
Perguntas frequentes
O que é a torção esplênica e por que o Pastor Alemão é predisposto?+
A torção esplênica (TE; inglês: splenic torsion, splenic volvulus; também: vólvulo esplênico; não confundir com: DVG — Dilatação-Vólvulo Gástrico — que é torção do estômago, não do baço; torção esplênica associada ao DVG: ocorre simultaneamente com a DVG em alguns casos) é a rotação do baço em torno de seu eixo vascular (hilo esplênico). O baço é mantido em posição por ligamentos (ligamento gastroesplênico, ligamento esplenofrênico); quando esses ligamentos estão frouxos ou congênitos laxos, o baço pode rodar em torno do hilo, torcendo os vasos sanguíneos. Consequências da torção: Interrupção do fluxo vascular: a torção comprime a veia esplênica e a artéria esplênica no hilo; o baço fica congesionado (sangue não sai) e depois isquêmico (sangue não entra); Congestão progressiva: o baço aumenta MUITO de volume — chega a ser 10-20x maior que o normal; Necrose esplênica: isquemia prolongada → morte do tecido esplênico; Hemólise intravascular: eritrócitos são aprisionados e destruídos no baço congesionado → anemia hemolítica; Heinz bodies: corpos de Heinz formados nos eritrócitos danificados — marcador laboratorial; Toxemia: a necrose libera substâncias tóxicas que podem causar CID (Coagulação Intravascular Disseminada) e choque; Predisposição do Pastor Alemão: estudos veterinários identificaram o Pastor Alemão como a raça com MAIOR predisposição para torção esplênica PRIMÁRIA (sem DVG simultâneo); machos de meia-idade (5-8 anos) e idosos são mais afetados; o motivo exato é desconhecido mas suspeita-se de laxidão ligamentar constitucional; outras raças grandes e de tórax profundo: também predispostas (Golden Retriever, Great Dane, Labrador, Dobermann); raças pequenas: muito raramente afetadas.
Quais são os sinais clínicos e como suspeitar de torção esplênica?+
A torção esplênica primária tem uma apresentação caracteristicamente insidiosa — o que retarda o diagnóstico em muitos casos. Sinais clínicos — formas de apresentação: Forma Aguda (menos comum): instalação rápida de dor abdominal grave, distensão abdominal, colapso, choque — mais similar ao DVG; Forma Subaguda ou Crônica (mais comum na TE primária): início insidioso — horas a dias de evolução; inapetência e apatia progressiva; distensão abdominal gradual (o baço cresce lentamente antes de necrosar); dor abdominal variável — pode ser discreta inicialmente; vômito intermitente: frequente; fraqueza progressiva; O baço aumentado: o tutor frequentemente palpa 'uma massa' no abdômen esquerdo-caudal; Sinais sistêmicos da hemólise progressiva: palidez de mucosas (anemia); icterícia (bilirrubina de hemólise): amarelamento das mucosas — mucosa oral, esclera; urina marrom-avermelhada ou marrom-escura: hemoglobinúria (hemoglobina liberada pelos eritrócitos hemolisados → urina); taquicardia; fraqueza; Diferença do DVG (Dilatação-Vólvulo Gástrico): DVG: instalação aguda e fulminante; timpanismo gástrico marcado (abdômen muito distendido anteriormente); não-produtiva tentativas de vômer; choque rápido; exame de imagem: estômago distendido e rodado; TE isolada: evolução mais lenta; o estômago não está comprometido; a distensão é mais caudal e lateral esquerda; TE + DVG simultâneos: apresentação aguda do DVG com baço também torcido — descoberta no momento da cirurgia; Achados laboratoriais da TE: hemograma: anemia (hematócrito baixo); eritrócitos fragmentados (esquizócitos) + Heinz bodies; leucocitose neutrofílica; química: bilirrubina elevada; possível CID (TP, TTPA alterados); urianálise: hemoglobinúria.
Como é feito o diagnóstico de torção esplênica?+
O diagnóstico da TE combina suspeita clínica com confirmação por imagem — a ultrassonografia abdominal é a ferramenta mais importante. Exame físico: distensão abdominal — especialmente no quadrante cranial-esquerdo (onde o baço normalmente se localiza); massa abdominal palpável: o baço tremendamente aumentado pode ser palpado como massa firme ou flutuante; palidez/icterícia de mucosas; taquicardia; Radiografia abdominal (projeções ventrodorsal e laterolateral): massa de tecido mole no abdômen cranial-esquerdo que desloca outras vísceras; o estômago pode estar levemente deslocado mas SEM o aspecto típico do DVG; em casos avançados: perda de detalhe abdominal (ascite ou líquido de hemólise); Ultrassonografia abdominal — EXAME MAIS IMPORTANTE: identifica o baço aumentado e rodado; a 'torção' vascular: ao Doppler colorido — ausência ou redução do fluxo vascular no hilo esplênico é o achado mais específico; parênquima esplênico: aspecto heterogêneo e hipoecóico (congestão + isquemia); presença de líquido livre peritoneal; pesquisa simultânea de alterações gástricas (para excluir ou confirmar DVG simultânea); Tomografia computadorizada (TC): não frequentemente necessária — ultrassom geralmente suficiente; pode ajudar a planejar a cirurgia em casos complexos; Diagnóstico diferencial: hemangiossarcoma esplênico (HAS): muito comum no Pastor Alemão — pode causar massa esplênica e ruptura; HC do Pastor Alemão idoso: hematoma esplênico sem torção; abscesso esplênico: raro; nódulo esplênico nodular: comum em cães idosos mas sem torção.
Qual é o tratamento e o prognóstico da torção esplênica?+
A torção esplênica é emergência cirúrgica — a esplenectomia é o único tratamento definitivo. Estabilização pré-operatória: fluidoterapia agressiva para tratar o choque e a desidratação; coloides se albumina baixa; transfusão de sangue ou concentrado de eritrócitos se anemia grave (hematócrito < 20%); plasma fresco congelado se sinais de CID; antiarrítmicos se taquicardia ventricular associada (como no DVG); oxigênio suplementar; O mais importante: NÃO DEMORA — cada hora aumenta o risco de CID e necrose irreversível; Cirurgia — Esplenectomia total: remover o baço inteiro é o tratamento de escolha — NUNCA tentar desfazer a torção sem esplenectomia (o baço já está parcialmente necrótico e pode liberar embolia ao ser destorcido); Técnica: ligadura e secção dos vasos do hilo esplênico; remoção completa do baço; inspeção do estômago (para confirmar ou excluir DVG simultânea); o tecido esplênico necrótico: biópsia — diferencia torção de hemangiossarcoma (muito importante no Pastor Alemão); Após a esplenectomia: monitorar plaquetas: trombocitose pós-esplenectomia é comum (o baço normalmente sequestra plaquetas); monitorar arritmias cardíacas (24-48h); monitorar anemia pós-operatória; O cão pode viver perfeitamente sem o baço — o baço não é indispensável para a vida; Prognóstico: TE primária sem CID: prognóstico BOM a EXCELENTE com cirurgia precoce; TE com CID estabelecida: prognóstico RESERVADO — CID grave tem mortalidade alta; TE associada ao DVG: prognóstico do DVG mais o risco adicionado do baço; TE por hemangiossarcoma (HAS): prognóstico RUIM — HAS metastatiza precocemente (mediana de 4-6 meses mesmo com esplenectomia sem quimioterapia).
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