Tumor Venéreo Transmissível (TVT) em Cachorro
O Tumor Venéreo Transmissível (TVT) — ou Tumor de Sticker — é o único tumor canino transmitido por contato físico entre cães. Nódulos cauliflorescos nos genitais, transmitidos durante o coito. Tratamento com vincristina IV — taxa de cura > 90%. Muito comum em cães errantes e sem castração no Brasil. Diagnóstico por citologia.
O Golden Retriever de 2 anos não castrado voltou da casa do amigo com sangramento peniano. Exame físico: nódulos cauliflorescos na mucosa peniana, friáveis ao toque.
Citologia por scraping: células redondas com citoplasma vacuolado e nucléolo proeminente.
TVT. Quatro aplicações de vincristina. Remissão completa.
O Câncer que É Parasita
O TVT é único na biologia oncológica:
- As células tumorais em si são transmitidas de cão a cão — não um vírus, não uma bactéria
- Análise genômica: o TVT originou-se de um único cão há ~6.000-11.000 anos
- Desde então, as mesmas células cancerosas se "transplantam" de cão a cão durante o coito
- O cão hospedeiro tem genoma diferente do tumor — são dois organismos distintos
É literalmente um câncer que evoluiu para se comportar como parasita.
A Célula Diagnóstica
A citologia do TVT é altamente característica:
- Células redondas grandes e uniformes
- Citoplasma vacuolado — pequenos vacúolos perinucleares
- Nucléolo proeminente
- Poucas mitoses
Um citologista experiente diagnostica o TVT com uma única lâmina — sem biópsia necessária.
A Vincristina — Um dos Protocolos mais Eficazes em Oncologia Veterinária
| Comparação | TVT | Osteossarcoma | Hemangiosarcoma | |---|---|---|---| | Taxa de remissão | > 90% | 20-25% (2 anos) | < 10% (1 ano) | | Protoco padrão | Vincristina IV 4-8× | Amputação + carboplatina | Cirurgia + doxorrubicina | | Custo | Baixo | Alto | Alto |
O TVT é um dos tumores caninos mais curáveis — a vincristina responde em quase todos os casos.
Prevalência no Brasil — Um Indicador Social
| Situação | Prevalência TVT | |---|---| | Cão de raça castrado, sem contato com errantes | Muito baixa | | Cão não castrado em cidade com errantes | Moderada | | Cão errante não castrado | Alta |
A prevalência do TVT numa cidade é um indicador direto do controle populacional de cães errantes.
Prognóstico
| Situação | Prognóstico | |---|---| | TVT genital localizado + vincristina | Excelente — > 90% cura | | TVT extragenital (nasal, oral) + vincristina | Muito bom | | TVT com metástase + VAC | Bom | | Recorrência pós-vincristina | Raro — retreatar com VAC |
Perguntas frequentes
O que é o Tumor Venéreo Transmissível e como é transmitido?+
O Tumor Venéreo Transmissível (TVT) — também chamado Tumor de Sticker, sarcoma transmissível, ou tumor venéreo canino — é o único tumor naturalmente transplantável entre indivíduos de uma espécie. Origem evolutiva: o TVT é um tumor com uma história evolutiva única — as células tumorais do TVT são geneticamente distintas do cão hospedeiro; análise genômica sugere que o TVT originou-se de um único cão há ~6.000-11.000 anos; desde então, as próprias células tumorais são transmitidas de cão a cão — não o vírus, não o cão, mas a célula cancerosa; as células tumorais são o parasita — é literalmente um câncer transmissível; Transmissão: contato físico direto entre mucosas: coito (via sexual): principal — células do tumor passam do cão infectado para a mucosa genital do outro; lambedura e farejamento de mucosas genitais: possível mas menos eficiente; mordida: possível na mucosa oral; trauma: células implantadas em mucosa lesionada; Epidemiologia no Brasil: extremamente prevalente em regiões com alta densidade de cães errantes e sem castração; o TVT é essencialmente um marcador de comunidades com cão semi-doméstico ou errante não castrado.
Como se manifesta o TVT e como é diagnosticado?+
Sinais clínicos: o TVT tem apresentação muito característica. Locais de manifestação: genitais externos (mais comuns): Fêmea: na vagina e vulva — nódulos avermelhados cauliflorescos, friáveis (sangram facilmente) na mucosa vaginal e vulvar; descarga vaginal sanguinolenta ou serosanguinolenta; Macho: na mucosa peniana e prepucial — nódulos semelhantes; sangramento peniano; Extragenitais (menos comuns): narinas e mucosa nasal: sangramento nasal, dificuldade respiratória; conjuntiva e mucosa oral: após lambedura; pele: após trauma com implantação; Diagnóstico: Citologia (PAAF ou scraping): padrão ouro — rápida, barata e diagnóstica; as células do TVT têm morfologia muito característica: células redondas com citoplasma vacuolado e nucléolo proeminente; o diagnóstico citológico é altamente preciso; Histopatologia: confirmatória quando necessário; não é necessária para iniciar o tratamento na maioria dos casos.
Como tratar o TVT?+
Tratamento: o TVT responde excepcionalmente bem à quimioterapia — é um dos tumores mais curáveis da oncologia veterinária. Vincristina: o protocolo padrão é 0,5-0,75 mg/m² IV a cada 7 dias; geralmente 4-8 aplicações são suficientes; taxa de remissão completa: > 90%; os nódulos regridem visivelmente após a 2ª-3ª aplicação; monitoriazação: hemograma antes de cada aplicação — vincristina pode causar mielossupressão; Protocolo mais curto e eficaz: vincristina semanal × 4 aplicações: para casos localizados sem metástase; reavaliação: se não houve remissão completa, continuar por mais 4 aplicações; Protocolo VAC (casos refratários ou metástase extensa): vincristina + actinomicina D + ciclofosfamida; raro ser necessário — TVT quase sempre responde à vincristina; Cirurgia: remoção cirúrgica apenas (sem quimioterapia): taxa de recorrência muito alta (~50-70%) — não recomendada como único tratamento; cirurgia pode ser complementar para debulking de tumores muito volumosos antes da quimioterapia; Radioterapia: eficaz mas menos prática e mais cara que a vincristina — reservada para casos localizados sem acesso à quimio; Prognóstico: excelente — > 90% de cura com protocolo de vincristina.
Como prevenir o TVT e qual o papel da castração?+
Prevenção: o TVT é quase totalmente prevenível. Castração: elimina completamente a probabilidade de TVT por via sexual; o cão castrado não pode ser receptor do TVT durante o coito; é a medida preventiva mais importante; Controle de errantes: o TVT é indicador de cães não castrados sem tutores — controle de população de errantes reduz a prevalência na comunidade; Evitar cópulas com cães desconhecidos: cão de raça em competição ou reprodução: verificar parceiro antes; examinar genitália de cão que teve contato com errantes; Diagnóstico precoce: sangramento vaginal em fêmea após contato com macho = citologia vaginal imediata; sangramento peniano em macho = exame do pênis e prepúcio; O TVT no Brasil: Brasil tem altíssima prevalência — é endêmico em cidades com população errante significativa; é uma das principais razões clínicas para o trabalho de controle de cães errantes e castração em massa.
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Tricuríase Canina: Trichuris vulpis, o Whipworm do Cão
A Tricuríase é causada por Trichuris vulpis — o 'whipworm' (verme-chicote) do cão, nematódeo que vive no cólon e ceco. É uma das helmintoses mais resistentes ao ambiente: os ovos de T. vulpis sobrevivem 5+ anos no solo. Causa diarreia mucossanguinolenta crônica e anemia em infecções graves. Diagnóstico: coproparasitologia (ovos com tampões polares — morfologia característica). Tratamento: fenbendazol 50 mg/kg por 3-5 dias (praziquantel NÃO tem efeito). Não é zoonose significativa para humanos — existe T. trichiura humana mas são espécies diferentes.
Toxocarose Canina: Toxocara canis, Zoonose e Larva Migrans
A Toxocarose é causada por Toxocara canis — o áscaris do cão, nematódeo da família Toxocaridae. É uma das helmintoses mais prevalentes no mundo. Cães filhotes são os principais hospedeiros e disseminadores. Zoonose importante: a larva de T. canis em humanos causa Larva Migrans Visceral (fígado, pulmão, olho) e Larva Migrans Ocular — com risco de cegueira. Transmissão: ingestão de ovos embrionados no solo. Tratamento no cão: pirantel ou fenbendazol. Prevenção: vermifugação regular + higiene.
Sebadenite Sebácea Canina: Destruição Imunomediada das Glândulas Sebáceas, Poodle Standard e Ciclosporina
A Sebadenite Sebácea (SS) é uma dermatopatia inflamatória imunomediada que destrói seletivamente as glândulas sebáceas. RAÇAS MAIS AFETADAS: Poodle Standard (prevalência estimada 1-5% da raça), Akita, Samoieda, Vizsla. DIAGNÓSTICO: biópsia cutânea com ausência ou destruição granulomatosa das glândulas sebáceas. SINAIS PATOGNOMÔNICOS: cilindros perifoliculares (casts) aderentes ao pelo; escamas foliculares; alopecia progressiva. TRATAMENTO: ciclosporina (5 mg/kg 1x/dia) + tratamento tópico intensivo (spray de óleo de girassol ou azeite). Sem cura — controle crônico.